Promotor diz que Congonhas não deve funcionar "de maneira alguma" com chuva
Da Redação | 28/08/2007, 14h42
O promotor de Justiça do estado de São Paulo Mário Luiz Sarrubbo, que acompanha as investigações sobre o acidente do avião da TAM em Congonhas (SP), no dia 17 de julho, disse que o aeroporto de Congonhas "não deveria funcionar de maneira alguma com chuva". A declaração foi feita em audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, nesta terça-feira (28), da qual também participou o delegado da Polícia Civil de São Paulo Antônio Carlos Menezes Barbosa, responsável pelo inquérito policial que investiga o acidente que matou 199 pessoas.
O promotor afirmou ainda que já ouviu 25 pilotos e quase todos disseram que a pista do aeroporto de Congonhas ficou ainda mais escorregadia depois da reforma realizada neste ano. Dois pilotos contaram a Sarrubbo terem tido problemas na pista molhada e relataram "que chegaram ao final da pista no momento do pouso".
Sarubbo criticou o fato de a pista ter sido liberada depois de reformada, mas antes de ter sido feito o grooving (ranhuras transversais na pista que aumentam o atrito, ajudando a frear o avião). Ele disse que 11 incidentes ocorridos este ano demonstraram que "a situação de Congonhas não é de total segurança".
Tanto o promotor como o delegado responsável pelo inquérito afirmaram que condições inadequadas da pista de Congonhas podem ter contribuído para o acidente.
- Congonhas continua sob suspeita. Ninguém que investiga o acidente tem a convicção de que seja uma aeroporto seguro - afirmou o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O delegado Antônio Carlos Menezes Barbosa acredita que o inquérito, que já conta com mais de três mil páginas, deverá estar concluído "em no máximo um ano". O delegado afirmou ainda que o acidente deve ter tido "uma série de causas" e não apenas uma, e que seria precipitado dizer que apenas um erro do piloto, ou um problema na pista, teria causado um acidente tão grave. O delegado também garantiu que não há nenhum indício de falha no equipamento da aeronave.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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