Pilotos do vôo 3054 passaram em testes de simulador de vôo em maio e junho

Da Redação | 02/08/2007, 21h20

O comandante e o co-piloto do vôo 3054, Henrique Stephanini Di Sacco e Kleyber Lima, haviam sido submetido a treinamento em simuladores de vôo recentemente, afirmou o presidente da TAM Linhas Aéreas S.A., Marco Antonio Bologna, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga as causas do Apagão Aéreo. De acordo com Bologna, o comandante Kleyber passou pelo simulador em 19 de maio deste ano e Stephanini em 5 de junho, também de 2007.

De acordo com o presidente da TAM, o treinamento em simulador com um ou dois reversos - o freio aerodinâmico de um jato como o Airbus 320, modelo do avião que se acidentou em São Paulo - bloqueados é considerado normal. São realizadas simulações de pouso e decolagem em situações mais difíceis, como com apenas um motor ou sem flaps. Bologna respondia a pergunta formulada pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

- O simulador é onde nós mais 'morremos'. Nele são testados todos os conhecimentos, nas piores situações - complementou o brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que também participou da audiência.

Ao responder ao relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), Kersul afirmou que a comissão de investigação das causas do acidente com o Airbus da TAM estuda a interconexão de todos os parâmetros que podem ter contribuído para a tragédia na qual morreram 200 pessoas - entre elas a capacitação da tripulação, as condições meteorológicas, o tamanho da pista. Explicou que o prazo para a conclusão do relatório sobre o acidente é de 18 meses, mas que as recomendações para evitar novos problemas podem ser feitas muito antes. Citou, como exemplo, a recomendação de não se utilizar a pista principal do Aeroporto de Congonhas em dias chuvosos.

Kersul disse que a equipe que foi aos Estados Unidos acompanhar a transcrição das caixas-pretas do avião trouxe dados relativos a 60 dos 580 parâmetros gravados. Segundo ele, é possível saber a potência dos motores na hora do pouso, a deflexão dos pedais de freio e até mesmo o momento em que o trem de pouso direito ou esquerdo ou a biquilha (trem de pouso dianteiro) tocaram o solo.

- É importante observar, no entanto, que cada parâmetro, analisado isoladamente, não leva a conclusão nenhuma - ressaltou o brigadeiro.

Kersul foi evasivo quanto a perguntas técnicas, para não estimular conclusões precipitadas, mas afirmou que a aeronave pousou dentro do limite para o toque na pista, o que foi comprovado por marcas de pneus.

O presidente demissionário da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, disse a Demóstenes que a pista principal de Congonhas teve sua geometria corrigida na recente reforma pela qual passou, sendo "praticamente impossível ocorrer aquaplanagem dinâmica", uma vez que a água não empoça.

José Carlos Pereira disse também que, embora não sejam permitidos postos de combustível nas proximidades das pistas de pouso, em algum momento foi liberada a construção do posto no qual colidiu o avião.

O presidente da CPI, senador Tião Viana (PT-AC), afirmou que a Comissão, em respeito à Constituição federal, não irá transcrever os dados contidos nas caixas-pretas da aeronave, decisão elogiada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)