Jucá diz que governo não teme CPI

Da Redação | 17/05/2007, 14h19

Ao sair da reunião de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, nesta quinta-feira (17), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse esperar que os trabalhos do colegiado sejam pautados pelo equilíbrio, pela responsabilidade e pela tranqüilidade, sem, entretanto, "deixar de investigar o que for necessário investigar".

Para Romero Jucá, o relatório final da CPI deve conter saídas concretas para que a situação do tráfego aéreo no país seja melhorada, com o devido fortalecimento das companhias de aviação e melhor atendimento ao cidadão nos aeroportos. O líder disse ainda que o espírito que domina a CPI não é o da disputa partidária, "mas sim o espírito do entendimento e da investigação".

Indagado se as denúncias a respeito de corrupção na Infraero Aeroportos Brasileiros (empresa pública que administra os aeroportos) estariam dentro do foco das investigações da CPI, Romero Jucá disse que nada deve ser jogado para debaixo do tapete, "desde que haja correlação com o fato determinado que criou a CPI".

- O governo não quer esconder nada, não tem medo das investigações, dará todas as informações necessárias, além de colaborar com os trabalhos da CPI - garantiu Romero Jucá, ao lembrar que o Palácio do Planalto já chegou, inclusive, a tomar providências relativas à Infraero.

No foco

Para o senador Sibá Machado (PT-AC), membro titular da CPI, as investigaçõesa serem levadas à frente pelo colegiado devem limitar-se ao fato determinado que originou a criação da CPI, que inclui o acidente da Gol que matou 154 pessoas, em setembro do ano passado. Admitiu, entretanto, que, ao longo dos trabalhos, o debate político-partidário poderá levar ao que considera certas "interpretações diferenciadas", na tentativa de desvirtuar o foco da comissão.

Sibá Machado garantiu que, como membro da base do governo, estará atento para evitar que os trabalhos da comissão busquem outros temas, a exemplo do que ocorreu, lembrou o senador, com a CPI dos Bingos, que ficou conhecida como a "CPI do Fim do Mundo". No decorrer dessa CPI, foram examinados, além da questão do jogo de bingo, vários outros assuntos que não estavam relacionados no requerimento de criação da CPI, como o assassinato do prefeito de Campinas, Celso Daniel; a possível existência de caixa dois na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002, e o suposto esquema de corrupção da prefeitura de Santo André (SP).

Outro parlamentar que falou à Agência Senado, logo após o término da reunião de instalação da CPI do Apagão Aéreo, foi o senador Gilvam Borges (PMDB-AP). O parlamentar disse que a comissão terá uma "função estratégica" para tentar resolver vários problemas, com destaque para a situação do controle de vôo e dos equipamentos, dois setores ligados diretamente à segurança dos passageiros, conforme lembrou.

- A previsão é que os trabalhos desta CPI tenham caráter propositivo para dar solução à crise do sistema aéreo - salientou Gilvam Borges.

O parlamentar rechaça qualquer tentativa de fuga do foco do requerimento de criação da CPI, a exemplo de investigações na Infraero que, observou, devem ser conduzidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Também falando à Agência Senado, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse esperar que a comissão não se torne um mero palco político-partidário, onde prevaleça o denuncismo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)