Alan García propõe uma "verdadeira e profunda aliança estratégica" com o Brasil

Da Redação | 09/11/2006, 18h10

O presidente do Peru, Alan García, em sessão solene do Congresso Nacional destinada a recepcioná-lo, nesta quinta-feira (9), afirmou em seu discurso que vai atuar nos cinco anos de seu mandato para converter a aliança estratégica com o Brasil numa política de estado permanente.

García explicou que esta sua primeira visita ao Brasil depois de assumir a presidência do Peru, há cem dias, pela segunda vez, tem como objetivo principal consolidar essa aliança estratégica "integracionista bi-oceânica e amazônica", que contemple um programa de desenvolvimento comum.

O presidente peruano salientou a importância de impulsionar a união sul-americana, por meio da integração entre a Comunidade Andina e o Mercosul.

- Brasil e Peru têm uma enorme responsabilidade como países-ponte entre a Comunidade Andina e o Mercosul - disse.

Também afirmou que, somente juntos, os países sul-americanos podem fazer frente a blocos econômicos como o Nafta e a União Européia, e mesmo à China. Lembrou que o Produto Interno Bruto da América do Sul é maior do que o chinês.

- Temos mais indústria e capital humano que a China; e temos democracia - observou.

Alan García também procurou ressaltar a importância do Peru para o Brasil conseguir ampliar suas exportações para a Ásia, utilizando os portos peruanos. Segundo ele, hoje o Brasil exporta US$ 118 bilhões por ano, mas, em 20 anos, estará exportando cerca de US$ 600 bilhões anuais, na maior parte para o continente asiático. O presidente disse que as obras de modernização de portos e aeroportos do Peru que vai empreender em seu mandato visam também a atender à demanda brasileira por um corredor de transporte ligando o Brasil ao Oceano Pacífico.

- Propomos a união dos povos com metas concretas - enfatizou, antes de afirmar que hoje os dois países "são sócios".

Entre essas metas, além do corredor para o Pacífico, está a ampliação do turismo. García lamentou que, em 2005, apenas 43 mil brasileiros tenham visitado o país vizinho. Manifestou ainda o interesse do Peru em aumentar a exportação de alimentos para abastecer a região de Manaus, segundo ele, a um custo 50% menor do que se comprados internamente, trazidos do centro-sul do Brasil.

Sobre a região Amazônica, lembrou da responsabilidade comum dos dois países em preservar a floresta, valiosa também pela capacidade de seqüestro de carbono da atmosfera. Disse ainda que a região detém grande potencial hidrelétrico, principalmente na proximidade com os Andes, que pode ser usado para a geração de energia para os dois países. A integração enérgica também passa, de acordo com García, pela exploração de petróleo e gás na costa do Pacífico, onde a Petrobras já está atuando.

A cooperação, para Alan García, vai envolver também o aspecto militar, com exercícios em conjunto e a incorporação do Peru ao Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Os dois países vão ainda realizar intercâmbio nas áreas tecnológicas e do desenvolvimento social.

Dizendo que Peru e Brasil nunca estiveram tão próximos, García ofereceu apoio ao Brasil no intento de obter um assento permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: