Tasso diz que Thomaz Bastos pode estar sendo "cúmplice de um crime"
Da Redação | 28/09/2006, 15h37
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), disse que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, tem de explicar, ainda nesta quinta-feira (28), por que a Polícia Federal (PF) não pediu ajuda ao Banco Central (BC) para identificar a origem do dinheiro usado para a compra de um dossiê que supostamente envolveria o candidato do partido ao governo de São Paulo, José Serra, com a chamada máfia das ambulâncias.
- Isso é um absurdo! Isso é um escândalo e eu acho que o ministro da Justiça tem de responder isso, hoje ainda. Se ele não responder a isso hoje, ele estará claramente dando a demonstração que não está sendo, a seu gosto, republicano; pelo contrário, está sendo cúmplice de um crime. Aconselho ao ministro para que, em nome da biografia dele, tome uma atitude e revele ao país, hoje ainda, o que ele sabe - disse Jereissati, após reunião, no Banco Central, com o presidente da instituição, Henrique Meirelles, na qual foi acompanhado pelo senador Heráclito Fortes (PFL-PI).
Em entrevista à saída do Banco, Tasso atribuiu a Meirelles a informação de que o BC tem condições de traçar todo o caminho percorrido pelo dinheiro que seria utilizado para a compra do dossiê, o que ainda não fora feito por ausência de solicitação da Polícia Federal ou do Ministério da Justiça, uma vez que esses dados são protegidos pelo sigilo bancário.
- Eu considero estranhíssimo que a Polícia Federal não tenha até hoje pedido ajuda ao Banco Central ajuda de informações para solucionar esse caso, o que me leva a crer, inclusive, que a Polícia Federal já sabe e, por alguma razão, está sendo constrangida a não informar. A minha razão é aquestão eleitoral - acusou Jereissati.
O senador pelo Ceará disse ainda que vai conversar com a bancada do partido para avaliar que providências poderão ser tomadas para que o ministro solicite informações do Banco Central.
Nota
Em nota oficial, o líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), lembrou que, passados 14 dias da data que a Polícia Federal flagrou pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores com R$ 1,7 milhão, para a compra do suposto dossiê, a origem do dinheiro ainda não foi esclarecida. A liderança questiona se a entrada dos dólares no país é ilegal e se a finalidade à qual se destinava era criminosa.
Também em nota divulgada nesta quarta-feira (27), o Banco Central esclareceu que a instituição não registra o número de série das cédulas utilizadas em operações por instituições autorizadas a operar em câmbio no país em compra e venda de moeda estrangeira. Explica ainda que essas instituições registram a compra e venda de moeda estrangeira em espécie no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), pelo montante de cada operação e com o nome do comprador e do vendedor. Essas informações, diz a nota, são protegidas por sigilo bancário e o acesso a elas depende da autorização de quebra por autoridade competente.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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