PSDB, PFL e PPS representam contra Okamotto por perjúrio

Da Redação | 16/08/2006, 17h18

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou nesta quarta-feira (16) que, juntamente com os presidentes do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PPS, deputado Roberto Freire (PE), vai encaminhar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) representação de perjúrio contra o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, por ter mentido, em depoimento à CPI dos Bingos, sobre o pagamento de uma dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Partido dos Trabalhadores (PT).

Para Jereissati, ou Okamotto mentiu na CPI dos Bingos, ou o presidente Lula mentiu na entrevista dada ao Jornal Nacional, ou os dois mentiram. O senador citou as afirmações de Okamotto e de Lula sobre o pagamento da dívida e assinalou as contradições. Okamotto disse que não havia conversado com Lula sobre o pagamento e Lula afirmou ter conversado com Okamotto sobre o assunto.

Em qualquer caso, disse Jereissati, trata-se de "um escândalo gravíssimo".

- A banalização da mentira nesse país, a partir do presidente da República, é absolutamente inaceitável. As mentiras tornaram-se tão banais que eles se esquecem das versões anteriores - disse o senador.

Jereissati lembrou que nos Estados Unidos basta uma mentira para que o presidente sofra processo de impeachment e protestou contra a utilização de imagens, na propaganda eleitoral do presidente Lula, de obras que não foram iniciadas ou feitas pelo atual governo.

O senador César Borges (PFL-BA) disse que as mentiras começaram quando eclodiu o caso de corrupção envolvendo o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz. Para ele, a versão de Okamotto para o pagamento da dívida de Lula é mentirosa e foi montada no Palácio do Planalto. O senador José Jorge (PFL-PE) disse que Okamotto pagou a dívida com dinheiro "que ninguém sabe de onde veio" e alertou que "mentira tem perna curta".

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) disse que a coragem do presidente Lula para enganar o povo "já passou dos limites". Ele afirmou que o presidente foge de entrevistas coletivas porque não consegue lidar com a verdade e pediu que a confissão do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, feita na terça-feira (15) na propaganda eleitoral, de que recebeu o "mensalão", seja encaminhada ao Ministério Público.

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) anunciou que convocará imediatamente Paulo Okamotto para explicar a contradição aos integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que preside. Ele acrescentou que requisitará as gravações televisivas do depoimento de Okamotto à CPI dos Bingos e que o assunto deve ser tratado com firmeza.

- Temos que abrir o sigilo [bancário] de Paulo Okamotto. Aí vamos ver quanta coisa vai aparecer - frisou Antonio Carlos.

O senador Sibá Machado (PT-AC) disse que confia totalmente na palavra de Lula, que não teria reconhecido, em nenhum momento, a existência da dívida. Jereissati disse que Sibá cometia um equívoco, pois o que se discutia era a contradição entre Lula e Okamotto e não a existência da dívida. Ele observou que a própria confiança de Sibá na palavra do presidente era uma confirmação de que Okamotto cometeu perjúrio. Ele disse ainda que Lula mentiu ao afirmar que criou a Controladoria Geral da União (CGU).

- Como todos sabem, a CGU foi criada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando nomeou a Dra. Anadir Mendonça para o cargo - disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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