Dirigentes do IRB tentam explicar investimento no exterior

Da Redação | 14/03/2006, 00h00

Em depoimento prestado à Sub-relatoria do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), o ex-presidente do órgão Demosthenes Madureira de Pinho Filho admitiu ter sido decepcionante o rendimento obtido pelo investimento de US$ 240 milhões do IRB, feito em bancos europeus, em setembro de 2002. O investimento foi feito pelo prazo de cinco anos.

Demosthenes negou, no entanto, ter havido interesses escusos ou políticos para a troca dos investimentos dos bancos Solomon Brothers, Morgan Guaranty e Goldman Sachs (todos norte-americanos) pelos bancos europeus Societé Génerale, Royal Bank of Scotland e Bayerishlandes Bank. Segundo ele, o motivo foi estritamente comercial e financeiro.

O ex-presidente assumiu plena responsabilidade pelo investimento e explicou que o objetivo primordial do negócio era a "garantia do principal", ou seja, o IRB precisava ter certeza de que o montante principal do investimento não seria tocado, uma vez que a estatal tinha dívidas, no exterior, no valor de US$ 200 milhões. Ele explicou que o investimento "tinha a função de servir de hedge financeiro".

Demosthenes negou conhecer o ex-deputado Roberto Jefferson ou o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e garantiu que os negócios do IRB, durante os dez anos em que lá trabalhou,não tiveram ingerência de nenhum dos dois.

Para o sub-relator, deputado Carlos Willian (PTC-MG), o negócio foi péssimo para o IRB, porque resultou em rendimento pífio, e no engessamento do dinheiro, uma vez que o prazo do negócio foi de cinco anos - de setembro de 2002 a setembro de 2007.

Demosthenes explicou que o IRB não é um órgão de especulação financeira, portanto o lucro não representa sua função principal, embora o instituto seja uma empresa estatal, com metade de seu capital entregue à iniciativa privada. Ele precisa dispor de dinheiro no exterior porque, como seguradora internacional, liquida sinistros fora do Brasil, disse.

Também em depoimento, o ex-diretor financeiro do IRB, José Eduardo Batista, disse que os cinco anos de prazo do investimento não representam tempo demasiado, porque o IRB não precisará desses recursos antes do final do contrato e, assim, esse dinheiro estará garantido em seu valor para o futuro, em 2007.

Segundo ele, o investimento foi vantajoso para o IRB, uma vez que o balanço do órgão, em 2005, mostrou que os US$ 240 milhões já estão valendo US$ 270 milhões, ou seja, em três anos, houve uma rentabilidade média em torno de 4% ao ano. Ele admitiu que a expectativa de lucro era maior quando o negócio foi fechado, mas atribuiu à "conjunturas do mercado", a menor rentabilidade.

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) afirmou que o relatório de dois auditores do Tribunal de Contas apontaram para um prejuízo de R$ 5,4 milhões nessa operação. Batista respondeu que os auditores não entenderam os detalhes do negócio.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)