Ex-presidente do fundo de pensão da Rede Ferroviária acusa PT de aparelhar politicamente a instituição

Da Redação | 06/03/2006, 00h00

Em depoimento à Sub-relatoria de Fundos de Pensão da CPI dos Correios, nesta segunda-feira (6), o ex-presidente da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer) Jorge Moura afirmou que a instituição sofreu um "aparelhamento político" por parte do PT a partir do início de 2003. De acordo com Moura, R$ 19 milhões foram desviados do fundo de pensão "para finalidades político-partidárias". O montante, afirmou Moura, teria sido utilizado como propina para que diretores da instituição, ligados ao PT e a sindicatos, promovessem a terceirização, para outra instituição financeira, da carteira de investimentos em títulos do governo do fundo, em 2004.

O depoente informou que a Refer administrava algo em torno de R$ 1,4 bilhão em títulos do Tesouro Nacional, a maioria com vencimentos a longo prazo, e a terceirização foi aprovada pela diretoria da instituição com apenas um voto contrário: o do próprio Moura, que deixou a presidência da Refer pouco tempo depois. Moura acusou o ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno, o empresário Argo Haroldo Almeida Rego Filho e o deputado Carlos Santana (PT-RJ), de serem os principais articuladores da terceirização dos títulos públicos da Refer. A certa altura do depoimento, Moura disse acreditar "ser difícil que o então presidente do PT, José Genoino, não soubesse destes fatos, embora não soubesse tudo".

Em entrevista à Agência Câmara de Notícias, o deputado Carlos Santana rechaçou as acusações e disse que já está processando Moura por calúnia e difamação. O parlamentar atribuiu as denúncias a uma disputa política com Moura.

Moura, ex-deputado federal e atualmente filiado ao PPS, disse que o PT, ao promover o aparelhamento do fundo, praticou um "sindicalismo de negócios", por ter colocado na diretoria da Refer pessoas indicadas politicamente pelo próprio partido e pelo sindicato dos ferroviários. O depoente disse acreditar que Marcelo Sereno "não fazia nada sem a anuência do ministro José Dirceu".

Na avaliação do sub-relator de Fundos de Pensão da CPI dos Correios, deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), o depoimento de Moura evidenciou o envolvimento de Marcelo Sereno na aparelhagem do fundo de pensão.

- O PT aparelhou a Refer, usou e abusou das indicações políticas na fundação. O depoimento de Moura evidenciou a influência de Marcelo Sereno nesta aparelhagem política - avaliou o sub-relator.

O quarto depoimento marcado para esta segunda-feira não foi realizado porque o representante do Banco Santos, José Mariano Drummond Filho, não atendeu à convocação da sub-relatoria. Antonio Carlos Magalhães Neto informou que a assessoria da comissão vai entrar em contato com a Polícia Federal para que possa providenciar a citação do convocado pelo não-comparecimento. Outro que deve ser citado pela PF é Marcelo Sereno, com depoimento marcado na sub-relatoria para esta terça-feira (7), mas que, de acordo com Antonio Carlos Magalhães Neto, "está fugindo da comissão".

(Geraldo Sobreira / Repórter da Agência Senado)
(Com informações da Agência Câmara de Notícias)

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