ACM Neto diz que há crime em operações realizadas entre fundos de pensão e corretoras de valores
Da Redação | 02/03/2006, 00h00
A sub-relatoria dos Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios tomou, na manhã desta quinta-feira (2), o depoimento de Jorge Ribeiro dos Santos, um dos donos da corretora São Paulo. O sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), foi o mais insistente dos interrogadores e, encerrada a audiência, declarou que há crime em operações realizadas entre fundos de pensão e corretoras de valores.
- Não tenho dúvida de que há delito nisso. Isso está ficando cada vez mais comprovado e vai constar do nosso sub-relatório uma série de exemplos onde fundos de pensão perdem, corretoras ganham e isso acaba trazendo enriquecimento indevido para certos grupos empresariais.
O parlamentar reconheceu que é escasso o tempo para a conclusão das investigações no prazo fixado para os trabalhos da CPI, mas disse que os acusados continuarão tendo que responder por seus atos junto ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Ele se disse contra a prorrogação dos trabalhos da CPI e anunciou que entregará seu relatório no dia 13 de março.
- Muitas coisas vão ficar em aberto. Não vamos ter condição de concluir todas as linhas de investigação, em todas as áreas. A comissão tem um prazo regimental, ela tem que cumprir seu trabalho, apresentar um bom relatório final entre final de março e início de abril, e chegou a hora de a gente dar um arremate. Aí depois a gente tem que acompanhar o Ministério Público e o Judiciário darem continuidade a tudo que foi investigado e que não pôde ser concluído.
Antonio Carlos Magalhães Neto também disse que o doleiro Lúcio Funaro, suspeito de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, comparecerá à CPI na próxima terça-feira (7), conforme compromisso assumido por seu advogado.
Sobre o depoimento de Jorge Ribeiro dos Santos, o sub-relator concluiu que a corretora São Paulo parece envolvida em irregularidades, inclusive algumas já detectadas por inquéritos da Comissão de Valores Mobiliários e que incluem figuras já conhecidas da CPI. Entre os esquemas da corretora, pode estar um em que se incluem a empresa Eucatex e Flávio Maluf, filho do ex-governador Paulo Maluf.
Indagado pela imprensa sobre se já é possível concluir que os prejuízos originados nas corretoras misturam-se com os prejuízos causados pelo valerioduto, o suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, Antonio Carlos Magalhães Neto disse que a CPI trata de tudo isso com o maior cuidado.
- Esse tipo de análise constará do relatório final da CPMI. Se tivermos segurança,isso vai ser afirmado, sem forçar a barra, sem politizar esse debate. Me parece que já existem alguns elos claros que ligam fundos de pensão com o valerioduto.
Em seu depoimento, Jorge Ribeiro dos Santos tentou demonstrar que foi traído pelas operações irregulares de Lúcio Funaro, que atuava como um autônomo em sua corretora. Na opinião de Antonio Carlos Magalhães Neto, uma informação ficou muito clara nesse depoimento - a de que, numa operação em que transferiu mais de R$ 30 milhões, o Banco do Brasil sabia que era Lucio Funaro quem estava operando na outra ponta, portanto, quem ganhava o dinheiro.
Outro momento importante do depoimento, para o deputado, foi o fornecimento de nomes de operadores autônomos, que foram os principais responsáveis pelo envolvimento da corretora São Paulo numa série de irregularidades, inclusive com fundos de pensão.
Os senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Heloísa Helena (PSOL-AL) e Ana Júlia Carepa (PT-PA), assim como o deputado Carlos William (PTC-MG), também interrogaram o representante da corretora São Paulo, concentrando suas preocupações na falta de lógica e seriedade na atuação dessas corretoras.
Na tarde desta quinta-feira (02), a Sub-relatoria dos Fundos de Pensão ouvirá ainda dois depoimentos: de Gilberto Audelino Correa e Luiz Carlos Siqueira Aquiar, dirigentes da Previ - Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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