Tião Viana: mutação do vírus da gripe aviária poderá causar tragédia

Da Redação | 24/02/2006, 00h00

Para o senador e médico infectologista Tião Viana (PT-AC), a gripe aviária "ainda não representa motivo para alarme, e sim para precaução". No entanto, ele reconheceu que, caso o vírus causador da doença passe por uma mutação que permita sua transmissão de uma pessoa a outra, "a humanidade poderá presenciar uma grande tragédia" - atualmente, o vírus é transmitido a humanos por meio do contato com aves infectadas. E, ao defender medidas "mais ousadas" por parte do governo federal, Tião Viana lembrou que a doença pode prejudicar as exportações brasileiras de carne de frango - setor em que o país é líder mundial. O senador fez essas declarações durante entrevista concedida à Rádio Senado.

Ao comentar o impasse que há na Europa quanto à vacinação de aves, Tião Viana afirmou que "a comunidade internacional precisa adotar uma posição uniforme sobre a doença". Mas ele destacou uma das principais razões dessa polêmica: "uma vacinação em massa pode levar ao surgimento de formas mutantes do vírus H5N1, e o medo de muitos cientistas é que uma dessas possíveis mutações permita o contágio pessoa a pessoa". O parlamentar recordou que a gripe espanhola, "com um vírus semelhante ao H5N1", matou mais de 20 milhões de pessoas em todo o planeta".

O senador disse que o recente anúncio, por parte do governo federal, de um plano de controle e prevenção "é um passo importante", mas ressaltou que isso não é suficiente.

- Temos de ser muito mais ousados - declarou.

Exportações

Tião Viana frisou que as preventivas medidas são importantes também para as vendas externas, já que "o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango". Ele afirmou ainda que uma possível redução no consumo internacional de frango poderá prejudicar as vendas externas de soja - um dos principais itens da pauta de exportações do país, que é utilizada na ração de frangos.

- O vírus ainda não entrou de forma comprovada na América, apesar dos casos no Canadá e na Colômbia. Mas o risco existe devido ao movimento migratório das aves para o continente. Temos de estar preparados - explicou o senador.

Entre as eventuais medidas a serem tomadas, caso a doença apareça no continente, Tião Viana citou o confinamento de aves, vacinação desse animais e a criação de cinturões sanitários.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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