Sistema financeiro não está preparado para avaliar crimes, diz especialista do BB

Da Redação | 13/02/2006, 00h00

O gerente-geral da Unidade Gestão da Segurança (UGS) do Banco do Brasil, Edson de Araújo Lobo, afirmou, nesta segunda-feira (13), à Sub-Relatoria de Normas de Combate à Corrupção da CPI dos Correios, que o sistema financeiro nacional passa por uma "mudança de paradigmas" e ainda "não está acostumado a avaliar crimes", o que explicaria, segundo ele, que manobras como a do publicitário Marcos Valério de Souza tenham passado, aparentemente, quase que despercebidas por um bom tempo.

Ele ressaltou, no entanto, que o investimento para melhorar a eficácia dos mecanismos de combate à lavagem de dinheiro no Brasil é muito grande, e pregou, na linha de vários dos convidados que já passaram pela sub-relatoria, uma maior integração entre os diversos órgãos de fiscalização.

Para Lobo, mais importante do que discutir a quem o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deve estar vinculado (se ao Ministério da Fazenda, como é hoje, ao da Justiça ou se deve ser uma agência independente), é fundamental repensar a estrutura da entidade.

- A instituição merece ser encorpada, com mais recursos materiais e humanos. Só assim ela será capaz de exercer com mais efetividade seu papel de combate à corrupção - disse.

Lavagem de dinheiro

O gerente-geral da UGS tratou dos dispositivos legais de prevenção à lavagem de dinheiro no Brasil. Segundo ele, os bancos devem manter os cadastros de clientes atualizados, e esses cadastros devem ser os mais completos possíveis. No Banco do Brasil, esses dados estão sistematizados na chamada política "Conheça seu cliente".

É importante, frisou Lobo, verificar se há compatibilidade entre a movimentação de recursos e a atividade econômica do correntista. Operações acima de R$ 10 mil devem ser, obrigatoriamente, comunicadas ao Banco Central, e os bancos precisam dar atenção especial a depósitos e retiradas em espécie em valor igual ou superior a R$ 100 mil.

- Deve-se investir na prevenção, porque a lavagem de dinheiro alimenta e mantém a atividade criminosa - afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)