Operador do mercado financeiro nega acusações

Da Redação | 09/02/2006, 00h00

Em depoimento à Sub-relatoria de Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, nesta quinta-feira (9), o operador da gestora de recursos Arbor, Christian de Almeida Rego, negou que tenha participado de operações fraudulentas no mercado financeiro, ao contrário do que afirmou o operador Alexandre de Athayde Francisco em depoimento prestado à CPI em janeiro deste ano.

Filho do operador de ações Haroldo de Almeida Rego, o Pororoca,Christian admitiu que manteve contato com Alexandre "quatro ou cinco vezes". O depoente negou, no entanto, a existência de vínculos "pessoais, profissionais, societários e empregatícios" entre a sua família e o operador do mercado financeiro.

- Ele é uma pessoa totalmente desequilibrada, um mentiroso, ele não regula bem. Os comentários sobre ele são os piores possíveis e todo mundo sabe disso no Rio de Janeiro. Ele conhece meu pai do passado, conhece meu irmão Murilo, mas nunca trabalhou para a gente, disse Christian, ao se referir a Alexandre.

Em depoimento à sub-relatoria no dia 26 do mês passado, Alexandre afirmou que Haroldo e os filhos Murilo e Christian teriam participado de transações ilícitas com fundos de pensão, as quais teriam contribuído para o enriquecimento de empresários e para o financiamento de campanhas eleitorais de candidatos do PT em 2002. Alexandre também encaminhou à sub-relatoria um dossiê sobre supostas operações fraudulentas que teriam provocado prejuízos aos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Portus (Portobrás).

Em resposta ao sub-relator dos Fundos de Pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), Christian explicou que a Arbor, como gestora de recursos financeiros, administrava um patrimônio em torno de R$ 40 milhões. Disse que a operadora deixou de funcionar em meados do ano passado, em decorrência de denúncias publicadas pela imprensa sobre uma suposta participação da empresa em operações fraudulentas com fundos de pensão.

- Isso começou em agosto de 2005. Começaram a veicular denúncias nos jornais e os clientes passaram a sacar o dinheiro investido, disse Christian

Fundos

Christian também ressaltou que a operadora "nunca" promoveu a distribuição de dividendos entre seus sócios, e que o "único" fundo de pensão gerido pela empresa foi oEletra (Fundação Celg de Seguros e Previdência), da Companhia Energética de Goiás. Ele disse também que não recebia rendimentos mensais da operadora e nem remuneração pelas operações mantidas pela empresa.

- A Arbor é uma empresa pequena, chegou a administrar um volume pequeno em termos de receita e nunca houve distribuição de dividendos. Os recursos da administração não eram suficientes para isso, disse Christian.

O depoente, porém, admitiu ao deputado Antonio Carlos Magalhães Neto que trocou agressões físicas com Alexandre em um centro comercial na capital carioca, mas negou que ele e seu irmão, Murilo de Almeida Rego, tenham ameaçado de morte o operador do mercado financeiro.

- Um dia chegou uma intimação na Arbor, colocada por debaixo da porta, que convocava os diretores da empresa para comparecer ao Ministério Público. Levamos um susto. O timbre do Ministério Público era falso. Recebemos uma denúncia anônima revelando que o Alexandre estava por trás disso. Ele é um chantagista. Eu o encontrei em um restaurante de uma amiga minha e quis saber dele o que estava acontecendo. Ele estava alcoolizado, partiu para cima de mim e eu me defendi, contou Christian.

O depoimento de Christian foi suspenso para que os integrantes da sub-relatoria pudessem participar de reunião administrativa da CPI dos Correios. Ainda nesta quinta-feira (9), a sub-relatoria deverá tomar o depoimento da cunhada de Christian e sócia da Arbor, Rogéria Costa Beber, da ex-gerente financeira do fundo de pensão Nucleos (das estatais nucleares) Fabiana Carnaval Carneiro e dos representantes do fundo de pensão Prece, Renato Guerra Marques e Carlos Eduardo Carneiro Lemos. O Prece é administrado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)