CPI apura se Valério usou empresas de Lúcio Funaro para lavar dinheiro
Da Redação | 01/02/2006, 00h00
A CPI dos Correios, conforme afirmou o sub-relator de Fundos de Pensão, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), suspeita que o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do esquema que ficou conhecido como "mensalão", tenha transferido recursos para as empresas do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, acusado de lavagem de dinheiro, por meio da investidora do mercado de ouro Natimar e da corretora Bônus-Banval. Funaro é proprietário da Erste Banking e da Guaranhuns Empreendimentos, que seria uma das intermediárias do esquema de corrupção.
O nome de Funaro apareceu em uma lista apresentada pelo diretor-comercial da Bônus-Banval, Breno Fischberg, em depoimento à CPI nesta quarta-feira (1o). A Bônus-Banval é investigada pela comissão por ter sido beneficiada em operações que geraram prejuízos a fundos de pensão. A lista cita pessoas para as quais a corretora teria distribuído recursos, sob a determinação da Natimar, em nome de Valério.
- A lista não é auto-explicativa e vai precisar ser muito bem analisada. Ela não bate com aquela que Marcos Valério nos apresentou. Precisamos ter certeza de onde esses recursos foram parar - ressalvou ACM Neto.
A Natimar é cliente da Bônus-Banval. Valério, que também era cliente da Bônus, agia com a Natimar, supostamente por ter interesse no mercado de ouro. Acredita-se, no entanto, que a Bônus-Banval e a Natimar tenham sido usadas pelo publicitário para esquentar dinheiro frio destinado a políticos em operações coordenadas pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares.
Apesar de já ter ficado claro para a CPI que a Bônus intermediou a liberação de recursos para pessoas físicas e jurídicas a pedido de Valério, Fischberg disse que não sabia que sua corretora estava sendo utilizada para abastecer o "valerioduto", o que contradiz afirmações já feitas pelo publicitário.
Valério declarou, por exemplo, que, em abril de 2004, um funcionário da Bônus-Banval transportou, em uma mala, dinheiro sacado de uma de suas contas para a sede do PT.
- O que Marcos Valério diz e escreve, para mim, não vale nada. Só gostaria que ele me apresentasse um documento - rebateu Fischberg.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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