Ex-prefeito pode ter sido vítima de seqüestro

Da Redação | 19/01/2006, 00h00

Muitos seqüestros ocorriam em Campinas na época em que o ex-prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, foi assassinado, em setembro de 2001. De acordo com o promotor da Justiça paulista, Ricardo Silvares, a mesma arma usada no crime, uma pistola 9 mm, foi utilizada posteriormente por uma quadrilha liderada por Anderson de Paula Lima, o Andinho, no seqüestro de uma criança, ocorrido quatro dias após a morte do ex-prefeito.

No dia 3 de outubro de 2001, segundo Ricardo Silvares, quatro pessoas foram mortas em Caraguatatuba (SP) por policiais, sendo que duas delas eram ligadas à quadrilha de Andinho. A Justiça ainda apura se as mortes ocorreram em decorrência de confronto com a polícia ou se foram resultado de execução sumária.

De acordo com Ricardo Silvares, os assassinos de Toninho do PT teriam usado um automóvel Vectra de cor prata, que havia sido roubado na cidade mineira de Uberlândia. O carro teria sido identificado por testemunhas que presenciaram o momento em que o automóvel do ex-prefeito, um Fiat Palio, foi abalroado pelos autores do crime. O mesmo veículo chocou-se contra um carro verde e foi visto trafegando em alta velocidade pelas ruas da cidade momentos antes do crime.

- Fomos ao IML (Instituto Médico Legal) e constatamos que foram dados três tiros, mas apenas um projétil acertou o prefeito e provocou três ferimentos, nas partes externa e interna do braço e no tórax, na altura das axilas - explicou o promotor.

A autoria do crime chegou a ser assumida por Anderson Rogério Davi, o Boca, que posteriormente negou as declarações e disse que a confissão foi obtida sob tortura. Flávio Roberto Mendes da Cunha também chegou a assumir a autoria dos disparos, mas voltou atrás em suas declarações posteriormente.

Em seu depoimento, Ricardo Silvares ressaltou que o local do assassinato de Toninho do PT não foi preservado de forma adequada.

- Tomamos conhecimento do crime e imediatamente fomos ao local. Havia muita gente e tinham removido o corpo. O carro estava abandonado e havia batido em um outdoor. A viúva do prefeito foi comunicada por meio de uma chamada feita do telefone do prefeito por um militar - disse o promotor de Justiça.

No final do ano passado, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PFL-SP) e Magno Malta (PL-ES) estiveram em São Paulo para ouvir uma testemunha ligada ao assassinato, de codinome Jack, mas suas declarações estão repletas de contradições, frisou Ricardo Silvares em depoimento à CPI dos Bingos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)