Gerente da Prece diz que fundo não responde por todas as suas operações
Da Redação | 11/01/2006, 00h00
O gerente de investimentos da Prece, fundo de pensão dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae),Paulo Martins, afirmou, nesta quarta-feira (11), em depoimento à CPI dos Correios, que a entidade não pode responder por todas as operações realizadas pelos oito fundos exclusivos a ela vinculados.
- Se houvesse alguma irregularidade, a responsabilidade de apurar seria do Banco Itaú, que é o nosso precificador e controlador, da Quality Previdência, que é o administrador da nossa carteira de investimentos, e dos órgãos reguladores do sistema financeiro - disse Martins.
Segundo o gerente, o sistema, que teria movimentado cerca de R$ 500 milhões nos últimos três anos, é superavitário. A informação contrasta com as conclusões do relatório parcial da Sub-relatoria de Fundos de Pensão, coordenada pelo deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que chegou a ter sua divulgação suspensa pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo o relatório, os 14 fundos investigados tiveram uma perda de cerca de R$ 700 milhões.
ACM Neto estranhou a expressiva mudança dos gestores dos fundos exclusivos da Prece nos últimos três anos, período em que Paulo Martins esteve à frente da gerência de investimentos. Martins explicou que o critério que orienta a constante rotatividade é a performance dos administradores.
- Não temos vínculo com nenhum tipo de gestor. Isso mostra transparência e prova que estamos dispostos a mudar a cultura sempre que for necessário - justificou.
Controvérsia
A participação de Paulo Martins na sessão da tarde desta quarta-feira na CPI dos Correios causou polêmica. O gerente de investimentos não foi convocado, e só foi ouvido pelos parlamentares porque a depoente oficial, a ex-diretora financeira da Prece, Magda das Chagas Pereira, se disse nervosa e não se julgou apta a prestar os esclarecimentos necessários.
A deputada Juíza Denise Frossard (PPS-RJ) chegou a indagar se Magda não seria, na verdade, uma espécie de "laranja" de Martins, já que todas as perguntas que a ela foram dirigidas foram respondidas por ele.
Os parlamentares quiseram saber, então, em que condição Martins estava sendo ouvido. O vice-presidente da comissão, Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que presidia a sessão, respondeu que não poderia obrigar o gerente a assinar um termo de compromisso como testemunha. Como Martins concordou em continuar, mesmo assim, o depoimento prosseguiu, sob protestos.
Sessão aberta, sessão fechada
O ministro Nélson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu aos depoentes desta quarta-feira, Magda das Chagas Pereira e Pedro Evandro Ferreira, representantes da Prece, um habeas corpus impedindo a divulgação de dados sigilosos em sessão pública.
Os parlamentares optaram, então, por iniciar o depoimento de Magda em sessão pública, com as informações que consideraram mais superficiais. Alguns minutos depois, no entanto, diante do impasse gerado, a imprensa foi retirada da sala da comissão.
O deputado ACM Neto protestou diante da decisão do STF.
- Faremos uma provocação oficial ao Supremo. Precisamos saber o que eles consideram dados sigilosos. Afinal, certas informações são o cerne do trabalho da nossa sub-relatoria, e não podemos impedir que a sociedade tenha acesso a elas - disse.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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