Ex-diretor da Caixa nega à PF ter direcionado licitação na estatal

Da Redação | 28/12/2005, 00h00

O ex-diretor Comercial da Caixa Econômica Federal José Lindoso Albuquerque Filho negou nesta quarta-feira (28) ter direcionado o processo licitatório da estatal quando da contratação da empresa brasileira Racimec para gerenciamento de jogos lotéricos. A licitação, iniciada em 1994, culminou com a assinatura do contrato entre a Racimec e a Caixa em janeiro de 1997. No mesmo ano, a Racimec foi comprada pela multinacional Gtech, que assumiu a continuidade do contrato. Lindoso depôs durante quase três horas na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília. O depoimento foi acompanhado por Leonardo Rolim, assessor da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos.

- Na época do primeiro contrato não houve interferência minha até porque eu nem participei do processo de contratação, eu já estava fora da diretoria quando foi feita a contratação. Minha diretoria nem participava de licitações - afirmou Lindoso à imprensa após o término do depoimento.

O depoente responde a processo de autoria do Ministério Público Federal (MPF), uma ação civil pública por improbidade administrativa. De acordo com Rolim, além de acusar Lindoso de ter direcionado a licitação da estatal em favor da Gtech, o MPF também investiga o contrato entre a empresa Telecom Net (da qual Lindoso já foi sócio) e a Caixa. A Telecom Net representava a operadora de telefonia Claro no contrato com a estatal, assinado em 1999, para venda de cartões de aparelhos celulares em casas lotéricas. No valor de cerca de R$ 1,5 milhão, o contrato também é apontado como suspeito pelo MPF.

- Isso é um mal-entendido estúpido. A Caixa é que foi contratada pela Telecom Net. Eu nem estava nessa empresa, eu entrei nela depois de aposentado. Quando a empresa contratou a Caixa eu já estava fora da estatal há dois anos. Quando entrei na empresa esse contrato já existia com a Caixa - afirmou Lindoso.

Na avaliação de Rolim, o fato do contrato entre Telecom Net e Claro ter sido assinado depois do contrato da Telecom Net com a Caixa, demonstra que o processo continua sob suspeita.

- Apesar dos esclarecimentos ainda nos parece uma operação muito estranha, que merece mais investigações. A CPI já recebeu a quebra do sigilo bancário da Telecom Net, vamos investigar. O Tribunal de Contas da União e o MP também continuarão as investigações - acrescentou Rolim.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)