Sub-relator diz que empresário confirma pagamento de seguro renovado após incêndio
Da Redação | 15/12/2005, 00h00
O empresário Giampaolo Bonora, diretor da Companhia de Fiação e Tecidos Guaratinguetá, de São Paulo, admitiu à Sub-relatoria do Instituto de Resseguros do Brasil, da CPI dos Correios, que a documentação que renovava o seguro de sua fábrica só chegou à seguradora após um incêndio, em dezembro de 2003. Ele atribuiu à burocracia e aos Correios o atraso na entrega dos papéis. Mesmo assim,aceitou um acordo proposto pela seguradora Aliança da Bahia e pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), recebendo cerca de R$ 16 milhões, quando teria direito a mais de R$ 18 milhões.
O sub-relator do IRB, deputado Carlos Willian (PMDB-MG), disse que o depoimento do empresário "apenas confirma uma suspeita de que existiu conluio" entre a seguradora e o IRB no pagamento irregular do seguro. O deputado acha que o empresário também participou da operação e, por isso, aceitou receber o seguro com desconto. O empresário, no entanto, sustentou ter aceitado a negociação com desconto para evitar um longo processo judicial.
A primeira suspeita de irregularidade foi descoberta por auditores do Tribunal de Contas da União, os quais apontaram a operação como totalmente atípica, pois o IRB pagou 98,7% do seguro, enquanto à seguradora coube apenas 1,3%.
- O IRB não costuma trabalhar com resseguros de baixos valores no mercado interno, limitando-se a grandes operações, como plataformas marítimas - sustentou o deputado Carlos Willian.
A CPI dos Correios passou a investigar o IRB depois que a revista Veja publicou reportagem afirmando que o ex-presidente do IRB, Lídio Duarte, teria sido pressionado a destinar R$ 400 mil por mês ao PTB. Lídio Duarte negou as afirmações em depoimento à Polícia Federal. Em 2003, cargos do IRB eram preenchidos por indicação do PTB, conforme a revista Veja.
A sub-relatoria agora quer ouvir Juan Campos Dominguez Lorenzo, do IRB, que negociou o pagamento com a Aliança da Bahia e a tecelagem, "mesmo ser ter autorização da diretoria do IRB para isso", de acordo com o deputado. O empresário Giampaolo Bonora depôs à CPI como testemunha e se comprometeu a enviar documentos fiscais da época da renovação do seguro.
O segundo depoimento do dia da sub-relatoria do IRB foi adiado, porque o convocado não compareceu ao Congresso. Trata-se de Hamilton Mesquita do Prado, representante da Catalyst Re, multinacional de resseguros com sede em Nova Jersey (EUA). Conforme o deputado Carlos Willian, existe denúncia de que esta empresa teria sido obrigada pelo IRB a dividir com a corretora Alexander Forbes do Brasil um contrato antigo que mantinha com a Usiminas. O sub-relator informou que Hamilton Prado participou da negociação, que teria ocorrido na sede do IRB.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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