CPI suspeita que Varig Log recebia "mensalão" para não atrapalhar conluio entre Beta e Skymaster
Da Redação | 13/12/2005, 00h00
A CPI dos Correios suspeita que a empresa de transporte aéreo Varig Log recebeu, ao menos em 2001, uma espécie de "mensalão" para não atrapalhar o conluio feito entre as empresas Beta e Skymaster para monopolizar os contratos com a estatal.
Causou estranhamento aos parlamentares, durante o depoimento de José Carlos Rocha Lima, ex-presidente da Varig Log, que a companhia, que foi altamente prejudicada especialmente em dois processos na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, não tenha procurado anulá-los judicialmente. Rocha Lima também foi presidente dos Correios.
Como se já não bastasse a falta de disposição da Varig Log em reverter as situações em que teria sido prejudicada, o sub-relator de Contratos, José Eduardo Cardozo, lançou a hipótese de haver uma gravação em que os sócios da Beta, Antônio Augusto Leite Filho e Ionannis Amerssonis, aparecem conversando sobre um suposto pagamento à Varig Log. A gravação, que Cardozo disse ainda não estar em poder da CPI, teria sido feita no escritório do próprio Antônio Augusto.
As declarações da fita seriam confirmadas, segundo o sub-relator, por uma planilha de custos a qual à comissão teria acesso, com o detalhamento das despesas da Beta e da Skymaster. Na tabela, há uma indicação com a sigla "VG".
- Alguém está tomando dinheiro de outro alguém usando meu nome - protestou Rocha Lima.
O primeiro caso apontado pelos parlamentares como sendo plausível de questionamento judicial por parte da Varig Log foi uma dispensa de licitação ocorrida em junho de 2001, em que a Skymaster foi beneficiada.
No mesmo ano, em dezembro de 2001, no já famoso pregão 45, a Varig Log foi desclassificada no processo licitatório, vencido também pela Skymaster.
- Técnicos dos Correios montaram o edital para excluir a Varig Log, porque tínhamos um produto que fazia concorrência ao Sedex, o Velog. Nós fomos praticamente enxotados do processo, não porque quisemos - narrou Rocha Lima.
O depoente disse que a empresa entrou com um processo administrativo, mas foi desacreditada pelos advogados. Rocha Lima se negou a abrir deliberadamente seus sigilos. Assim, José Eduardo Cardozo se comprometeu a encaminhar à diretoria da CPI, na próxima reunião administrativa, um requerimento nesse sentido.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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