Especialista diz que criança de rua é responsabilidade do Estado
Da Redação | 08/12/2005, 00h00
O representante do Comitê Nacional da Campanha Meninos de Rua Fora das Ruas, do Rio de Janeiro (RJ), padre Renato Chiera, disse que o Estado tem obrigação de elaborar políticas públicas para os menores que habitam as rua. Ele informou que organizações não-governamentais (ONGs) vêm realizando atribuições que seriam do Estado e o governo não é responsabilizado pelas conseqüências. A afirmação foi feita durante audiência pública que discutiu a situação dos meninos e meninas moradores de rua, realizada nesta quinta-feira (8) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
- Viemos aqui pra colocar nos vossos corações a realidade dramática das crianças moradoras de ruas, filhotes de um país que os gerou e não os cria - disse ele.
O padre Renato afirmou também que o número de crianças moradoras nas ruas brasileiras não é tão elevado como demonstram os índices. Segundo ele, contagem realizada pelas entidades assistenciais indica que na cidade do Rio de Janeiro há menos de mil meninos e meninas morando nas ruas. Em São Paulo, disse, este número é pouco mais de mil e, em Recife, não passa de 500.
Ele trouxe aos senadores um recado das crianças da Baixada Fluminense (RJ), que pediram para o padre informar que as crianças de rua não são bandidos. Para o religioso carioca, os menores buscam oportunidades que evitem que sejam adotados, explorados e até mortos pelos traficantes.
- Isto não é normal, mas já nos acostumamos a pensar que menino de rua é problema de polícia e deve ser eliminado. Esta é uma causa que não tem partido, é uma realidade que mancha a imagem do país lá fora. Menino mancha a ecologia da praia carioca, como se menino não fosse ecologia humana. Se fossem gatos ou cachorros abandonados nas ruas, as entidades protetoras de animais já teriam tomado providências. Nossas crianças valem menos que cachorros - argumentou o padre.
A senadora Patrícia Saboya Gomes (PSB-CE), que solicitou a audiência e que presidiu a reunião, ficou emocionada com a exposição do padre Chiera.
- Me emocionei com a fala do padre porque ele sabe como é voltar pra casa sem dar a resposta adequada às crianças que vivem nas ruas. Quando vemos essas pessoas falando, percebemos que não temos direito de desistir da árdua luta. Saio feliz da audiência porque quantitativamente o problema não é algo sem solução, são números que são possíveis construir políticas públicas - disse a senadora.
O representante do Comitê Nacional de Combate à Situação de Moradia nas Ruas de Crianças e Adolescentes, do Ceará, Bernardo Rosemeyer, salientou que para a realização de políticas eficientes é necessário conhecer o número exato de crianças que estão nas ruas. Na sua opinião, o Governo gasta dez vezes mais com infratores do que gastaria se acolhesse as crianças brasileiras.
Rosemeyer criticou ainda o fato de que os recursos destinados às entidades que cuidam de crianças de rua sejam provenientes do exterior. Para ele, esta situação é vergonhosa, pois os recursos deveriam ser nacionais.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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