Pizzolato nega que Diretoria de Marketing do BB tivesse ingerência sobre Visanet

Da Redação | 07/12/2005, 00h00

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato afirmou, em novo depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, que o relacionamento do BB com a Visanet - empresa de cartão de crédito da qual o banco também é sócio com 33% - não passava por sua diretoria e que nenhum dinheiro de lá saía, já que os orçamentos de ambas são independentes. Ele negou que tivesse qualquer ingerência sobre a distribuição de recursos para as agências de publicidade que atendiam ao banco.

Segundo Pizzolato, quem ordenava a realização das campanhas de publicidade era a Diretoria de Negócios, e quem realizava o pagamento era a diretoria de logística.

- A Diretoria de Marketing não tinha alçada individual, tudo era decidido pelos comitês ou pelo Conselho Diretor - afirmou, acrescentando que só cuidava do gerenciamento dos contratos.

Pizzolato disse que foi nomeado para manter uma situação já estabelecida, sem demitir ou realizar novos contratos e que assinava documentos já visados pelo então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e por outros diretores. Ele disse ter alertado o ministro da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica à época, Luiz Gushiken, sobre o repasse da Visanet à DNA, agência de Marcos Valério Fernandes de Souza, sem constar no orçamento do banco. Segundo Pizzolato, Gushiken considerou o procedimento normal.

Pizzolato foi reconvocado para depor e tentar explicar porque a DNA, agência de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, recebeu quase R$ 30 milhões adiantados para realizar a publicidade de cartões de crédito com a bandeira Visa, como o Ourocard. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) afirmou que R$ 10 milhões não tiveram comprovação de serviço realizado e que o dinheiro pode ter abastecido o "valerioduto", já que poucos dias depois do depósito Valério contraiu empréstimo do mesmo valor no Banco Rural e o repassou ao PT.

Pizzolato, que depôs sem a proteção de habeas corpus, afirmou ainda que não houve direcionamento na escolha da DNA para atender a Visanet. Em 2002, foram criados três pilares - varejo ou pessoa física, atacado ou pessoa jurídica, governo e Poder Judiciário - e a agência optou por trabalhar com o primeiro pilar, da qual a Visanet faz parte. Até setembro de 2003, a agência Grottera atendia atacado e a agência Lowe atendia o governo. Depois, a D+ passou a atender atacado e a Ogilvy passou a atender o governo. A DNA permaneceu atendendo varejo.

O ex-diretor informou que a DNA detinha essa conta desde 2001 e que os pagamentos eram feitos diretamente da Visanet para a agência tentando evitar a dupla tributação que haveria se os recursos fossem repassados ao Banco do Brasil.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)