Prejuízos aos fundos de pensão chegam a R$ 730 milhões

Da Redação | 06/12/2005, 00h00

Entre 2000 e 2005, os 14 fundos de pensão investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios tiveram prejuízos da ordem de R$ 730 milhões. Destes, o mais atingido foi a Prece (da Companhia de Água e Esgotos do Rio de Janeiro), com perdas que chegam a R$ 309 milhões. Os dados estão no relatório produzido pelo sub-relator de Fundos de Pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que apresentou o documento nesta terça-feira (6).

Além da Prece, chamam a atenção os prejuízos alcançados pelo fundo de pensão Sistel (R$ 153 milhões); Funcef - da Caixa Econômica Federal (R$ 50 milhões); Postalis - dos Correios (R$ 41,9 milhões); e Petros - da Petrobras (R$ 64,8 milhões).

- Os fundos foram usados para arrecadar dinheiro e trazer dinheiro para mãos daqueles que não tinham qualquer tipo de relação com os fundos ou não são beneficiários deles - afirmou o relator adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).

No relatório, três pessoas físicas foram identificadas como beneficiárias desses recursos: José Carlos Batista, empresário que tem 1% das cotas da Guaranhuns, sacadora das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e citada por ele como a empresa que repassava recursos para o PL; Christian de Almeida Rego, filho de Haroldo de Almeida Rego Filho, conhecido no ramo dos fundos de pensão como Pororoca; e Cristiano Costa Beber.

As dez corretoras que deram prejuízos de mais de R$ 1 milhão são: Laeta DTVM; Novinvest; Cruzeiro do Sul; Fator Doria Atherino; Bônus-Banval; São Paulo; Click Trade; Planner; Socopa; e Walpires.

- Todos esses prejuízos saíram de operações realizadas no mesmo dia, atípicas e com claro objetivo de causar prejuízo para os fundos e trazer algum benefício para agente privado, corretora ou pessoa física - explicou Paes.

O deputado disse ainda que, apesar de os fundos virem apresentando prejuízos desde 2000, as conexões com o que chamou de "valerioduto" só surgem em 2003.

- De um lado tem um conjunto de operações que dão prejuízo, o que mostra que isso vem acontecendo já há algum tempo. Mas é clara uma conexão com o valerioduto, na medida em que diversas corretoras envolvidas com o esquema do valerioduto e várias pessoas físicas e operadores de mercado aparecem na construção desses prejuízos aos fundos - afirmou.

Segundo Paes, as operações foram engenhosas e bem montadas e, sem a quebra de sigilo, fica difícil ver sua montagem, já que foram feitas em apenas um dia, com muitas operações de compra e venda de ações.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)