Depoimento de ex-superintendente do Rural é adiado para a próxima quarta
Da Redação | 30/11/2005, 00h00
O depoimento do ex-superintendente do Banco Rural Carlos Godinho, marcado para esta quarta-feira (30) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, foi adiado. Segundo o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o advogado do depoente informou que seu cliente não recebeu o aviso de convocação a tempo. A inquirição foi remarcada para a manhã da próxima quarta-feira (7). A audiência com Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, está mantida para a tarde do mesmo dia.
Serraglio mostrou surpresa ao informar ao Plenário que o depoente não compareceu e informou que, se for preciso, a comissão usará os "instrumentos legais" para a realização do depoimento, o que significa que o ex-superintendente pode vir depor acompanhado pela Polícia Federal.
- Confiamos que ele cumpriria a palavra, até porque quem procurou a imprensa foi ele - disse.
O relator frisou a importância do depoimento, já que na entrevista concedida à revista Época há três semanas Godinho apresentou uma interpretação sobre os fatos investigados pela comissão que coincide com a tese sustentada no relatório do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de Fontes Financeiras. O ex-superintendente afirma que os empréstimos realizados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o Partido dos Trabalhadores e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares eram "feitos para não ser pagos" e que a movimentação financeira da SMP&B; tinha "indícios de lavagem de dinheiro" - linha defendida no documento produzido pelo sub-relator.
- Queríamos que ele aprofundasse informações sobre as outras fontes de recursos (de Valério) - acrescentou Serraglio.
Gustavo Fruet afirmou também não acreditar que pressões de dirigentes do Banco Rural para que Godinho não falasse sobre o assunto - conforme matéria publicada na Época desta semana - tenham feito o ex-superintendente desistir de depor.
- A entrevista anterior reforçou a linha de investigação. A nova (matéria) é um fator que não prejudica - explicou.
Relatório Parcial
A votação do relatório parcial sobre os empréstimos entre o PT, Delúbio e Marcos Valério continua marcada para esta quinta-feira (1). Os parlamentares estudam as hipóteses de votar o documento como está ou de não votá-lo e incluir as informações no relatório de Serraglio. Existe também a idéia de se criar um capítulo com as informações obtidas a partir dos depoimentos de tesoureiros regionais e do publicitário Duda Mendonça, que apontam utilização de recursos de caixa dois em várias campanhas, que seria uma "ampliação do relatório".
- A idéia é fazer um relato do que está se investigando, não estamos propondo o indiciamento de ninguém - afirmou Gustavo Fruet.
Esse relato incluiria não só os nomes de Delúbio e Cláudio Mourão (tesoureiro da campanha do senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998), como também o de Jacinto Lamas (tesoureiro do PL) e o de José Genuína (ex-presidente do PT que deu o aval para os empréstimos). As propostas ainda estão sendo discutidas pelos integrantes da CPI.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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