Acareação não provoca confrontos entre acusados da morte de Celso Daniel

Da Redação | 30/11/2005, 00h00

Os sete acusados de envolvimento no seqüestro e morte do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel negaram, durante acareação pública realizada na noite desta segunda-feira (28), em São Paulo, a participação do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, no crime, ocorrido em janeiro de 2002. A subcomissão é presidida pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e composta pelos senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Magno Malta (PL-ES).

A acareação, realizada no auditório da sede do Ministério Público estadual, começaria às 14h, mas só foi ter início por volta das 21h15, após o final de uma reunião de caráter reservado entre os integrantes da subcomissão, promotores paulistas e quatro novas testemunhas do caso Celso Daniel, cujos nomes são mantidos em sigilo. Eduardo Suplicy comunicou que solicitará ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, proteção especial a esses depoentes.

A acareação durou aproximadamente duas horas e contou com a participação do promotor de justiça Roberto Wider Filho, que presta depoimento à CPI dos Bingos nesta quarta-feira (30). Ele é integrante do Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e participa do inquérito que apura as circunstâncias do assassinato de Celso Daniel.

Antes do início dos depoimentos, o advogado de defesa de Sérgio Gomes da Silva, Ricardo Podval, considerou a acareação "ilegítima", mas disse que o empresário concordou em depor como forma de colaborar com a Justiça nos trabalhos de investigação sobre o assassinato de Celso Daniel.Participaram da acareação os presidiários Elcyd Oliveira Brito, Itamar Messias Silva dos Santos, Marcos Roberto Bispo dos Santos, Ivan Rodrigues da Silva, José Edison da Silva, Erivan Aleixo da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira - todos acusados de envolvimento com o assassinato de Celso Daniel.

Acareação

Durante a acareação, os acusados pela morte de Celso Daniel e Sérgio Gomes da Silva disseram que não se conheciam pessoalmente. Na maioria das vezes, os presidiários responderam às perguntas dos senadores com "nada a declarar". Sérgio Gomes da Silva disse que vai "continuar lutando para provar a sua inocência" e atribuiu as contradições contidas em depoimentos prestados anteriormente à Justiça e à CPI dos Bingos ao "nervosismo" O empresário acompanhava Celso Daniel na noite em que o então prefeito de Santo André foi seqüestrado.

Apontado como o suposto autor de uma carta enviada a Sérgio Gomes da Silva, na qual cobraria o pagamento pelo assassinato de Celso Daniel, o presidiário Elcyd Oliveira Brito, conhecido como John, voltou atrás em declarações já prestadas à Justiça paulista e disse que enviou a correspondência com o objetivo de "extorquir" o empresário.

Antes do final da acareação, Eduardo Suplicy exibiu documentos em que a Polícia Federal comprovaria o envolvimento de Ednaldo Ferreira de Sá em crimes de estelionato. Ednaldo teria se passado por pastor evangélico e prometido entregar a Suplicy um vídeo que mostraria "um conluio entre Sombra e os seqüestradores de Celso Daniel", segundo o senador. O prazo concedido por Suplicy para a apresentação do material esgotou-se no mesmo dia da acareação entre Sérgio Gomes da Silva e os acusados do crime, sem que qualquer prova fosse encaminhada à subcomissão, disse Suplicy.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)