Assessor de Palocci nega pagamento de propina ao PT

Da Redação | 29/11/2005, 00h00

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos nesta terça-feira (29), Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor especial do ministro da Fazenda Antonio Palocci, disse desconhecera existência de pagamento de qualquer tipo de mensalão bancado por empresários à prefeitura de Ribeirão Preto (SP), na época em que Palocci era prefeito do município.

- Nunca participei de qualquer tipo de arrecadação de dinheiro para o PT,resumiu Ademirson, que durante a maior parte do depoimento limitou-se a negar qualquer envolvimento dele ou da chamada "Turma de Ribeirão Preto" em supostos esquemas de arrecadação para a formação de um "caixa dois" do PT, a ser usado em futuras campanhas eleitorais, inclusive a do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

Segundo denúncias da imprensa, e confirmadas por depoentes perante a CPI dos Bingos, a empresa Leão&Le;ão pagava mensalmente a quantia de R$ 50 mil à prefeitura de Ribeirão Preto para a caixinha do PT. As empresas de ônibus da cidade, segundo as mesmas denúncias, também faziam parte do esquema de arrecadação, chegando a desembolsar mensalmente R$ 500 por ônibus.

É só amizade 

Diretor de Investimentos do Instituto de Previdência de Ribeirão Preto na época em que Palocci era prefeito de Ribeirão Preto, Ademirson Ariovaldo disse que "jamais" manteve negócio - particular ou público - com Ralf Barquete (já falecido), Rogério Buratti, ou até mesmo com Vladimir Poleto, e que nunca intermediou nenhum negócio ou até mesmo marcou encontros, oficiais ou particulares, a pedido deles, no gabinete de Palocci, já na condição de assessor especial do ministro.

As investigações patrocinadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público concluíram que Barquete (em 2003 ele era consultor da presidência da Caixa Econômica Federal) teria mantido vários contatos telefônicos com Buratti às vésperas da renovação do polêmico contrato, por 25 meses e no valor de R$ 650 milhões, entre a multinacional Gtech e a CEF, relativo à operacionalização da rede lotérica em todo o país.

Buratti, por sua vez,foi acusado de intermediar a renovação do contrato e de ter pedido propina à Gtech no valor de R$ 5 milhões para que o ajuste fosse ratificado. Poleto foi acusado de transportar, de Brasília para São Paulo, cerca de US$ 3 milhões, possivelmente oriundos do governo cubano, para serem usados na campanha de Lula à Presidência.

Pressionado pelo relator, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que apresentou quebra de sigilo telefônico dando conta de que ele, Ademirson, falou por telefone milhares de vezes com Barquete, Poleto e Buratti, o assessor de Palocci foi enfático: "As conversas se restringiam a assuntos pessoais, já que éramos amigos". A maioria das ligações, observou Ademirson, era dos três para o celular dele, "e que muitas vezes não existia o retorno dos telefonemas". Sobre o episódio Gtech, Ademirson disse que "nunca tratou da renovação do contrato", e que ficou sabendo do caso "apenas pela imprensa".

O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), observou que as ligações comprovam uma triangulação entre Ademirson, Barquete, Poleto e Buratti. Já o líder do PFL, senador José Agripino Maia (RN), cobrou de Ademirson "explicações convincentes" uma vez que as ligações entre eles (cerca de 1.400) demonstram que tinham uma convivência muito maior do que a pura amizade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)