Pochmann: país que investe em tecnologia tem mais emprego
Da Redação | 25/11/2005, 00h00
O economista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Márcio Pochmann afirmou, no seminário "Atualidade do Pensamento de Celso Furtado sobre o desenvolvimento", no Senado, que os países com investimentos mais elevados em tecnologia são aqueles que vêm apresentando os menores índices de desemprego. Citou que, em 1979, os países mais ricos (G-7) tinham 32% de desemprego, mas o quadro mudou com as aplicações em tecnologia e, em 2002, sua taxa havia caído para 11%.
- A realidade mostra que estavam errados aqueles que achavam que a tecnologia iria aumentar o desemprego - disse. Pochmann alertou que o Brasil não pode continuar adiando a solução de alguns problemas, como equilíbrio da Previdência, reforma tributária e redistribuição de renda, que podem contribuir para a redução da "dívida social" do país.
- Já existem demógrafos na Alemanha prevendo que dentro de três ou quatro décadas o homem poderá viver até 120 anos. O impacto disso sobre os sistemas previdenciários pode destruí-los, caso não se adaptem - alertou.
Márcio Pochmann criticou a onda de "terceirização" no serviço público e apresentou números mostrando que Estado brasileiro cortou tanto nos seus empregos que hoje responde apenas por cerca de 8% da População Economicamente Ativa (PEA), quando já empregou mais de 12%, há cerca de 20 anos.
O professor da Unicamp e ex-secretário de Trabalho da cidade de São Paulo lembrou que a concentração de renda teve poucas alterações desde as primeiras advertências sobre o problema feitas por Celso Furtado. Hoje, o Brasil tem 1,2 milhão de famílias consideradas ricas. Pouco antes, Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, havia lembrado que Celso Furtado afirmara pouco antes de morrer que "inclusão social no Brasil significa emprego".Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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