Carlos Lessa critica pagamento de juros da dívida pública
Da Redação | 25/11/2005, 00h00
Para o economista Carlos Lessa, o pagamento dos juros da dívida pública, do modo como vem sendo feito, "é um jogo de acumulação estéril e devastador" que reduz as possibilidades de melhoria da distribuição de renda no país. Ele comparou o total de juros a ser pago este ano, que seria de R$ 145 bilhões, com o total a ser gasto com o Bolsa Família no mesmo período, estimado em R$ 7 bilhões.
- O que vem ocorrendo é a apropriação do Estado como instrumento de transferência de riqueza - ressaltou, acrescentando que "a progressão do subdesenvolvimento cria novos padrões de distribuição de renda".
Lessa, que foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), discorreu sobre essa questão durante o seminário "A atualidade do pensamento de Celso Furtado sobre o desenvolvimento", realizado em Brasília. O evento foi promovido pela Comissão de Assuntos Econômicos.
O economista também citou estudo de Marcos Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), segundo o qual 80% dos juros da dívida pública beneficiariam, em última instância, apenas 20 mil famílias.
- O destino de uma parcela muito expressiva desses juros é a aquisição de novos ativos financeiros, derivados da emissão de títulos da dívida pública - explicou Lessa.
Dessa forma, segundo ele, o Estado brasileiro transferiria mais de R$ 100 bilhões para esse grupo, enquanto apenas R$ 7 bilhões seriam repassados, por meio do Bolsa Família, para cerca de oito milhões de famílias.
O ex-presidente do BNDES destacou que o Bolsa Família "é o mais importante programa social realizado no país, que leva a uma melhoria relativa no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das famílias beneficiadas".Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: