Argentina é apontada como exemplo de reação a neoliberalismo
Da Redação | 25/11/2005, 00h00
A recuperação da economia argentina ao longo dos últimos três anos foi indicada como exemplo de reação bem-sucedida ao neoliberalismo, durante o seminário A Atualidade do Pensamento de Celso Furtado sobre o Desenvolvimento. Ao abrir a mesa sobre Projetos Nacionais de Desenvolvimento, o professor argentino Aldo Ferrer sustentou que seu país experimenta um novo período histórico.
- Vivemos agora um novo ciclo, de uma economia em crescimento, aberta ao mundo e integrada à América Latina, mas no comando de seu próprio destino - definiu Ferrer, da Universidade de Buenos Aires.
Durante o período neoliberal de 1976 a 2001, afirmou o professor, o pensamento predominante era o de que os países periféricos não deveriam ter projetos nacionais, mas, sim, adaptar-se ao que desejavam os mercados internacionais. Ao longo dessa época, observou, a Argentina teve uma política anti-industrial, o que a teria submetido a uma posição periférica, no Mercosul, em relação ao Brasil.
Em resposta, o assessor especial de política externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, considerou "péssima" para o Brasil a idéia de um vizinho inferiorizado. Ele recordou que a estrutura econômica argentina foi "fortemente abalada" pelo neoliberalismo e reiterou a necessidade de uma aliança estratégica entre os dois países.
- O melhor trunfo para o Brasil é uma Argentina fortemente industrializada - afirmou Marco Aurélio Garcia.
O exemplo proveniente de Buenos Aires inspira a oposição ao governo mexicano, segundo informou o professor Arturo Guillén, coordenador da Rede Euro-latino-americana de Estudos para o Desenvolvimento Celso Furtado. Após quatro governos ligados ao neoliberalismo, disse ele, existe uma possibilidade de mudança política por meio da candidatura de Manoel López Obrador, do PRD.
- A Argentina passou a crescer a partir da recuperação do comando da política monetária e fiscal. O problema urgente do México é o de mudar o modelo econômico, e não o de implantar reformas pendentes do neoliberalismo - definiu Guillén.
Também às vésperas de uma eleição presidencial, o Chile deverá aproximar-se do Mercosul no caso de vitória da candidata Michelle Bachelet, do Partido Socialista, ligada ao atual presidente Ricardo Lagos. Além disso, poderá promover maiores investimentos na educação pública e na inovação tecnológica, segundo Álvaro Diaz, assessor da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e ex-vice-ministro da Economia.
- A referência chilena não é a dos tigres asiáticos, mas sim a de economias social-democratas abertas de conhecimento, como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Portugal - indicou Diaz.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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