Seminário do Senado debate a atualidade das idéias de Celso Furtado

Da Redação | 24/11/2005, 00h00

Ao participar do seminário sobre o pensamento do economista Celso Furtado, a professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria da Conceição Tavares, lamentou que, em função da dominação crescente da cultura hegemônica dos países ricos, o subdesenvolvimento na América Latina esteja se aprofundando tanto que a região está regressando aos padrões primitivos de exportação de bens primários e de relações capital/trabalho.

-- Celso morreu triste com essa democracia de pé quebrado, porque esperava, como eu, que a sofrida redemocratização da região tivesse resultado em políticas públicas de inclusão social, de desenvolvimento econômico e de geração de empregos, exatamente o oposto do que aconteceu -- afirmou.

Durante o seminário, Maria da Conceição apontou dois fatores principais para essa inversão de expectativas dos setores progressistas dos países subdesenvolvidos. O primeiro foi o peso colossal da dívida externa e interna sobre suas economias, trazendo dependência e submissão aos países credores.

O segundo foi o fato das elites do mundo inteiro -- e da América Latina em especial -- terem se convencido do acerto do pensamento neo-liberal para gerir os negócios de seus respectivos países. Dessa maneira, os governos adotaram políticas macro-econômicas (cambial, fiscal e monetária) que viraram armadilhas difíceis de desmontar, explicou a professora.

Para ela, o Brasil representa um perfeito exemplo dessa situação de submissão à globalização, agravada por investimentos públicos em queda vertiginosa e saída de capitais (juros e lucros) em montante maior do que a soma das entradas de investimentos estrangeiros. Em suma, um quadro difícil de reverter ou modificar, reconheceu Maria da Conceição Tavares.

Universidade do Chile

O professor da Universidade do Chile, Osvaldo Sunkel, concordou com a análise de Maria da Conceição sobre o balanço altamente negativo das políticas neo-liberais na América Latina que excluíram contingentes importantes de pessoas, obrigadas a emigrar para os países desenvolvidos.

Segundo ele, o Consenso de Washington representou um "tsunami" na economia dos países latino-americanos: conseguiu dominar a inflação, mas castrou drasticamente os índices de crescimento econômico e de geração de empregos.

O ex-diretor da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) fez questão de dizer que o atual êxito econômico-social do Chile não se deve à adoção de políticas neo-liberais, como muitos imaginam.

-- Ao contrário, os governos de centro-esquerda do Chile conseguiram superar a paralisia do neo-liberalismo, através da adoção de políticas bem-sucedidas de exportação, de desenvolvimento de infra-estrutura e de proteção social, que se mostraram eficientes para desenvolver o país e trazer bem-estar social para a população -- concluiu Osvaldo Sunkel.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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