CPI quer novas relações das agências de publicidade com o poder público

Da Redação | 24/11/2005, 00h00

O sub-relator de Contratos da CPI dos Correios, José Eduardo Cardozo (PT-SP), afirmou, nesta quinta-feira (24), que as investigações que vêm sendo desenvolvidas pela comissão darão subsídios à elaboração de um projeto de lei para rever a regulamentação que diz respeito à relação das agências de publicidade com as estatais.

- Como as agências de publicidade precisam de outras empresas que lhes prestem serviços de promoção de eventos, por exemplo, elas acabam servindo como biombo de contratação de novos fornecedores. Não tem o menor sentido que elas escolham quem vão contratar. Isso é uma válvula do sistema que facilita a corrupção - disse ele.

As declarações foram dadas após o depoimento de Luiz Alberto Costa Marques, diretor-geral do escritório de Brasília da Ogilvy, uma das empresas responsáveis pela publicidade do Banco do Brasil.

A oitiva confirmou que a DNA, agência do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, intermediava o pagamento que era feito às outras agências, principalmente pelos serviços prestados à conta Visanet. Esses pagamentos eram antecipados, o que, na visão de José Eduardo Cardozo, acabava acarretando prejuízo ao patrimônio público.

- Nós prestávamos o serviço, apresentávamos as faturas e, após todo um ritual de fiscalização, o pagamento era executado pela DNA, por instrução da diretoria de marketing do Banco do Brasil - explicou Costa Marques.

Assim como acontece com as outras agências que prestam serviços ao BB, a Ogilvy chama a atenção da comissão por não respeitar os editais de contratação no que se refere às bonificações de volume (BV), uma espécie de bônus concedido pelas empresas de comunicação onde as campanhas publicitárias são veiculadas. Os editais do BB dizem que os bônus devem ser devolvidos à estatal. No entanto, ao que parece, as agências têm se apropriado desses recursos. Pelos cálculos da comissão, o montante gira em torno de R$ 15 milhões.

A CPI também investiga a relação entre o diretor estratégico da Ogilvy, Mauro Montoryn, e o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares. De acordo com denúncias veiculadas pela imprensa, existiria uma certa proximidade entre eles. O sub-relator disse considerar estranho que Montoryn tenha saído da D+ Brasil, empresa concorrente da Ogilvy, e ingressado nesta última justamente no período em ela começou a prestar serviços para o Banco do Brasil. O requerimento de convocação do diretor estratégico deverá servotado na próxima terça-feira (29).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)