Klinger, "Sombra" e Ronan podem enfrentar indiciamento e acareação

Da Redação | 23/11/2005, 00h00

O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou nesta quarta-feira (23) que vai sugerir o indiciamento de Klinger Luiz de Oliveira Souza, ex-secretário municipal de Santo André durante a gestão de Celso Daniel, e dos empresários Sérgio Gomes da Silva (o "Sombra") e Ronan Maria Pinto. Eles são suspeitos de terem liderado um esquema de corrupção nessa cidade. Já o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), declarou que poderá haver acareação entre os três acusados e a empresária Rosângela Gabrilli - que confirmou na CPI dos Bingos, também nesta quarta, as denúncias que já havia feito contra eles no Ministério Público.

Rosângela disse que sua empresa, que atua no ramo de transporte urbano e mantém contrato com a prefeitura de Santo André, foi vítima de extorsão praticada pelos acusados - as "contribuições" exigidas seriam mensais. Ela apresentou à comissão documentos que comprovariam os pagamentos.

- Tivemos de pagar para poder trabalhar, para poder ter paz com o "poder" - afirmou ela, acrescentando que Klinger era o "maestro da cidade, muito temido e inteligente".

A empresária também disse que Celso Daniel, ao assumir a prefeitura de Santo André, teria informado a um grupo de empresários que as questões administrativas da cidade ficariam sob a responsabilidade de Klinger. Apesar disso, Rosângela disse acreditar que Celso Daniel "não conhecia todo o esquema de corrupção" e que isso, possivelmente, teria relação com seu assassinato, ocorrido em janeiro de 2002.

Para o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais, o depoimento de Rosângela foi "sério, consistente e verdadeiro". Ele também declarou que vai sugerir à Controladoria-Geral da União (CGU) a realização de fiscalização sobre a prefeitura de Santo André no período em questão.

Tanto Efraim quanto Garibaldi Alves afirmaram que a conexão entre o esquema de corrupção e a morte de Celso Daniel é plausível, mas que cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público averiguarem essas suspeitas. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)