Okamotto diz na CPI dos Bingos que pagou conta do presidente Lula

Da Redação | 22/11/2005, 00h00

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, confirmou nesta terça-feira (22) que pagou em dinheiro, junto à tesouraria do Partido dos Trabalhadores, a quantia de R$ 29.436,26 para cobrir despesas, principalmente com viagens e diárias ao exterior, realizadas em 2001 pelo então pré-candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e por sua mulher, Marisa Letícia. Okamotto informou que os débitos foram quitados em 2003 e disse esperar "que um dia o partido me devolva o dinheiro".

Militante do PT e amigo de Lula, tendo administrado os serviços de infra-estrutura da campanha presidencial em 2002, Okamotto afastou qualquer possibilidade de o PT ter feito um empréstimo a Lula para pagar aquelas despesas, incluindo as médicas. Segundo ele, os recursos repassados ao então pré-candidato à Presidência da República foram legais e na forma de adiantamento, já que Lula era um funcionário do partido que viajou ao exterior, em missão partidária oficial.

Para ele, as denúncias sobre um suposto empréstimo que o PT teria pago a Lula está sendo confundida com um simples fechamento do balanço contábil envolvendo a rescisão do contrato firmado entre Lula e o partido. De acordo com Okamotto, o então Tesoureiro do PT, Delúbio Soares, chegou a pressioná-lo para não deixar em aberto as contas envolvendo o já presidente Lula. É que a Tesouraria ainda não tinha descontado as despesas, como viagens, na homologação da rescisão do contrato de Lula. Daí a decisão de Okamotto de pagar a pendência com o objetivo de fechar a conta.

Fundo partidário

O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), estranhou as acusações contra Lula e o próprio PT com relação a supostos abusos do uso do chamado Fundo Partidário para cobrir despesas, principalmente com viagens de parlamentares ao exterior, que considera justas quando são feitas a trabalho.Ele apresentou uma lista contendo vários nomes de senadores e deputados do PFL que, segundo ele, atestam que a oposição gasta "muito mais que o PT". De acordo com o líder, enquanto o PT paga em média US$ 100 a diária, o PFL reembolsa US$ 300.

Na lista apresentada por Mercadante aparece o nome do líder do PFL, senador José Agripino (RN) que, em nome do partido, viajou a Argentina e recebeu da agremiação R$ 675 por dois dias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer que Agripino devolva o dinheiro, enquanto o parlamentar, conforme deixou claro Mercadante, luta para não devolver o dinheiro. O recursos apresentado pelo senador ainda será julgado.

Por isso, o líder do governo defendeuampla investigação em todos os fundos partidários. Informou que o TSE quer que o PFL devolva aos cofres públicos R$ 91.716, frutos de diárias de viagens ao exterior considerada irregulares pelo tribunal. José Agripino acha normal as diárias que recebe, já que passa recibo e as declara anualmente em seu imposto de renda.

Cláudio Bernado/Agência Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)