Acordo entre governo e oposição garante depoimento de Palocci na CPI
Da Redação | 22/11/2005, 00h00
Senadores da oposição e da base do governo que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos fecharam um acordo nesta terça-feira (22) para que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, preste depoimento até o próximo dia 10 de dezembro.
A incerteza sobre a votação do requerimento convocando o ministro gerou impasse na reunião da CPI que tomou o depoimento do presidente nacional do Sebrae, Paulo Okamotto. Entretanto, os senadores conseguiram chegar a um consenso e deixaram por conta do presidente do colegiado, senador Efraim Morais (PFL-PB), a tarefa de marcar a data do depoimento.
- Houve um entendimento, de modo que o presidente Efraim está autorizado a convidar o ministro e ele virá até o dia 10 de dezembro. Foi só uma deferência que a comissão fez ao ministro, mas o seu depoimento vai servir, como os outros depoimentos, de prova para a comissão - afirmou o relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).
Com o "entendimento político", como Efraim classificou o acordo, Palocci deverá assinar termo de compromisso de falar a verdade perante a CPI, para que seu depoimento tenha validade jurídica. Tal procedimento, entretanto, não precisar ser cumprido por Palocci, frisou o Garibaldi.
- O objetivo da CPI é ouvir o ministro, o depoimento só acontecerá se ele assinar o termo de compromisso, caso contrário não o faremos. O depoimento tem de ser válido, tem de ser prova, tem de ser peça jurídica e essa é a condição da CPI ouvir o ministro Palocci - pontificou Efraim, ao lembrar que os senadores desejam ouvir as explicações e justificativas do ministro acerca das denúncias de irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto (SP) à época da gestão de Palocci.
Okamotto
Para o presidente da CPI dos Bingos, o depoimento do amigo pessoal do presidente da República, Paulo Okamotto, não trouxe esclarecimentos convincentes para a comissão. Devido a isso, Efraim defendeu que a comissão solicite a quebra do sigilo bancário do depoente.
- Okamotto não conseguiu explicar a situação do empréstimo, como pagou e de onde veio o dinheiro. Ele não deixou claro como efetuou esse pagamento nem as razões de ter pago uma dívida do presidente Lula - afirmou Efraim.
Agenda
Nesta quarta-feira (23) a CPI colhe o depoimento de Rosângela Gabrilli, empresária do ramo de transportes, que vai falar sobre contratos de sua empresa com a prefeitura de Santo André (SP), quando o petista Celso Daniel era prefeito. Já Hélcio Barbosa Cambraia Júnior depõe na quinta-feira (24). Ele é suspeito de estar envolvido no esquema de tráfico de influência durante as negociações para a renovação do contrato para gerenciamento lotérico entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a multinacional GTech.
( Augusto Castro/ Agência Senado)
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: