Mercadante rebate críticas de FHC à política econômica do governo
Da Redação | 17/11/2005, 00h00
Em discurso nesta quinta-feira (17), o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), criticou com veemência artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado na revista Agenda 21, com críticas à política econômica do atual governo. Mercadante reclamou da falta de humildade de Fernando Henrique, contrária à "postura transparente" do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em sua audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que reconheceu os avanços proporcionados pelos governos anteriores.
O ex-presidente, na opinião de Mercadante foi sectarista e não se mostrou aberto ao diálogo, ao dizer que "a relação entre taxa de câmbio, dívida interna elevada, taxas de juros altas e controle da inflação condenam o país a taxas de crescimento medíocres e desemprego estabilizado em nível elevado".
Mercadante discordou de Fernando Henrique ponto por ponto e disse que grande parte dos problemas enfrentados hoje são heranças da política de âncora cambial, essa sim "uma armadilha" que, adotada em seu primeiro mandato, deteriorou a dívida externa. O parlamentar lembrou que, enquanto hoje o país tem um superávit comercial de US$ 98,5 bilhões, durante oito anos teve sucessivos déficits de US$ 8 bilhões. Mercadante disse ainda que foi o governo de Fernando Henrique que elevou a dívida pública, com as privatizações e o financiamento da balança de pagamentos "com juros elevadíssimos".
O líder do governo rebateu a afirmação de Fernando Henrique de que o superávit primário estaria sendo feito para "impressionar o mercado financeiro". Para Mercadante, a política de superávit primário irá garantir o sucesso do ajuste fiscal necessário à melhoria das finanças públicas. Segundo Mercante, foi no atual governo que se conseguiu diminuir significativamente a relação dívida pública/Produto Interno Bruto (PIB).
Mercadante ressaltou conquistas do atual governo como o crescimento de 4,6% do PIB em 2004 e o incremento nas exportações de US$ 60 bilhões, em 2003, para US$ 100 bilhões em 2004.
O parlamentar petista mostrou-se inconformado também quando o ex-presidente acusa o atual governo pelo custo da adoção de uma política "ultra-ortodoxa", assim como pelo custo de sua incapacidade de estabelecer marcos regulatórios que dessem aos investidores externos tranqüilidade para investirem no Brasil.
Rejeitou a afirmativa de que o governo petista estaria fomentando uma "crise fiscal", quando, na verdade, com a reforma tributária, a desburocratização e a racionalização dos mecanismos de arrecadação, o que está sendo feito é um maior controle fiscal.
PSDB responde
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se contrapôs a todos os argumentos apresentados por Mercadante. Ele considera o crescimento econômico medíocre, quando comparado ao crescimento da América Latina e de outros países em desenvolvimento. Arthur Virgílio acredita que o câmbio está mais apreciado atualmente que no governo Fernando Henrique e que, se hoje as exportações são recordes, isso está acontecendo graças ao processo de privatizações. Na sua avaliação, o erro da política econômica é a manutenção da taxa de juros alta, a falta de ousadia em apostar no crescimento e no momento virtuoso da economia mundial.
O senador Tasso Jereissati ressaltou o grande êxito da política econômica dos anos 90, que foi a conquista da estabilidade da moeda e o controle da inflação e disse que hoje os desafios são outros e que o governo não compreendeu a importância das agencias reguladoras e não está administrando bem os juros, pois falta ousadia para fazer o país crescer.
No final da longa discussão entre os dois líderes, Mercadante propôs e Arthur Virgílio concordou que deve se fazer uma rodada de debates sobre os rumos da política econômica.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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