Tebet e Juvêncio lamentam morte do ambientalista Francisco Anselmo
Da Redação | 16/11/2005, 00h00
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) lamentou, em discurso nesta quarta-feira (16), a morte do jornalista e ambientalista Francisco Anselmo de Barros, que no último domingo ateou fogo ao próprio corpo em defesa do Pantanal Matogrossense e contra a construção de usinas de álcool na região. Sua morte, disse Tebet, chamou a atenção para o fato de que decisões que envolvem ambientes da importância do Pantanal, patrimônio da humanidade, devem ser discutidas com a sociedade e não serem tomadas "de cima para baixo".
O parlamentar pelo Mato Grosso do Sul disse que o requerimento de votos de pesar pela morte do ambientalista, assinado por ele e pelo colega Juvêncio da Fonseca (PSDB-MS), apresentado nesta quarta-feira, reflete o sentimento da sociedade sul-matogrossense e da sociedade brasileira pela perda de um homem que "imolou sua vida" em nome da causa ambiental.
Tebet disse que o gesto do ambientalista surpreendeu a todos e lembrou que este, ao defender suas idéias, costumava se pautar pela calma e não pelo radicalismo, sempre utilizando argumentação bem-fundamentada. O parlamentar relatou, emocionado, que dias antes, ele enviara uma carta ao seu gabinete, na qual dizia não ser contra os usineiros, a agricultura, as hidrovias, hidrelétricas e termelétricas que trazem desenvolvimento sustentável à região, mas contrário à postura dos "maus governantes que tomam decisões equivocadas".
O senador acrescentou que a esposa do ambientalista, Iracema Sampaio de Barros, baiana de nascimento, adotou o Mato Grosso do Sul como seu estado e, além de se dedicar à luta do marido, tem realizado ações para desenvolver e pesquisar a cultura no estado.
Juvêncio da Fonseca disse que Francisco Anselmo, também presidente da Fundação de Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul, pagou "um preço alto"para defender o "frágil santuário ecológico".
- Anselmo criticava os maus políticos e empresários e os ditos PHDs de aluguel - lembrou o senador.
No que se referia ao Pantanal, a preocupação de Anselmo, ressaltou Juvêncio, era com o fato de querem fazer do Rio Paraguaium canal de navegação e portos para grandes embarcações egrandes comboios, além de usinas de álcool.
Cristina Vidigal/Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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