Renan nega rota de colisão com Lula
Da Redação | 16/11/2005, 00h00
Em entrevista à imprensa na terça-feira (15), durante a cerimônia de inauguração do Memorial à República, em Maceió (AL), o presidente do Senado, Renan Calheiros, voltou a negar que esteja em rota de colisão com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conforme avaliação de analistas políticos publicada pelos jornais nas últimas semanas.
- Isso não é verdade. Não tivemos tensões e tenho mantido as melhores conversas com o presidente Lula, em função dos interesses de Alagoas - afirmou o presidente do Senado.
Renan, porém, defendeu o comparecimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ao Congresso Nacional para "dirimir dúvidas da Nação" quanto ao seu suposto envolvimento na atual crise política.
- Não pode haver dúvidas quanto ao ministro da Fazenda. O país quer que o ministro dê algumas explicações e eu acho que ele precisa dar. O ministro não deve permanecer permanentemente exposto dentro de uma zona cinzenta. Ele deve esclarecimentos à Nação - explicou Renan.
O presidente do Senado também voltou a cobrar agilidade da Câmara dos Deputados na votação de algumas matérias, a exemplo da reforma política.
- A culpa não é do presidente Aldo Rebelo. Ele está chegando agora. A culpa é da era Severino (Cavalcanti, ex-presidente da Câmara), na qual não se votou um só projeto. O Senado votou a reforma política e a reforma judiciária, que não andaram na Câmara. E logo teremos que votar a MP 258 (que cria a Super-Receita). Assim não dá. Não vamos legislar sem fazer o aprofundamento que o país cobra - disse Renan.
Na avaliação do senador, o Congresso Nacional deve priorizar o debate sobre questões que "destravem os investimentos" no país, entre elas a reforma tributária e a lei geral das pequenas e médias empresas.
- O Brasil precisa crescer significativamente para que possamos resgatar essa terrível hipoteca social que pesa sobre nós - argumentou o presidente do Senado.
Renan também defendeu investimentos em segurança pública por parte da União, dos estados e municípios.
- Nós precisamos regular o artigo 144 da Constituição, para redefinir as competências das polícias. A criminalidade precisa ser enfrentada. Eu mesmo apresentei uma proposta de emenda à Constituição que vincula recursos para a segurança pública, a exemplo do que acontece com a saúde e a educação - disse Renan.
Quanto a uma eventual disputa ao governo de Alagoas no próximo ano, Renan explicou que essa decisão depende de um posicionamento conjunto do PMDB e da sociedade alagoana, que deverá estar definido entre o final de janeiro e o começo de fevereiro de 2006.
- Se a decisão recair sobre o meu nome, eu topo. Eu não quero que uma decisão minha esteja acima do interesse do estado, absolutamente. A candidatura a governador tem de ser coletiva. As disputas são mais democráticas quando elas contam com a participação de muitas pessoas e, por isso, se tornam mais representativas - concluiu o presidente do Senado.
Paulo Vasco /Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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