Palocci: Dilma Rousseff está errada quanto à política econômica
Da Redação | 16/11/2005, 00h00
As divergências com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff, foram abordadas no depoimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta quarta-feira (16). Palocci contou ter dito a Dilma que "ela estava errada" quanto às críticas feitas à política econômica. Mas ressaltou que concorda com ela quanto à necessidade de retomada dos investimentos públicos.
Em entrevista divulgada na semana passada, a ministra afirmou que a atual política econômica "enxuga gelo", já que os superávits primários (receitas do governo menos suas despesas) são consumidos com o pagamento de juros - os quais não são contabilizados nesse tipo de superávit.
Ao defender sua gestão, Palocci afirmou que "a sustentabilidade das contas públicas beneficia as políticas sociais, e não ao contrário". E ressaltou que "não é preciso um esforço fiscal maior que o atual, mas sim que esse esforço se estenda no tempo".
Durante a audiência, vários senadores, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), César Borges (PFL-BA) e Jefferson Péres (PDT-AM), destacaram a "fragilidade política" do titular da Fazenda, causada tanto pelo "fogo amigo" de Dilma Rousseff como pelas denúncias de corrupção envolvendo ex-assessores de Palocci quando ele era prefeito de Ribeirão Preto - esta, aliás, a principal razão de sua vinda ao Senado.
Críticas dos senadores
Assim como Dilma Rousseff na semana passada, vários senadores presentes na sessão criticaram as políticas monetária e fiscal conduzidas pelo ministro da Fazenda - que vêm se traduzindo, respectivamente, em altas taxas de juros e pesada carga tributária.
Utilizando, basicamente, a mesma linha de raciocínio da ministra-chefe da Casa Civil, Eduardo Suplicy (PT-SP) lembrou que os superávits primários obtidos pelo governo federal têm ficado acima das próprias metas oficiais, mas frisou que esse esforço fiscal não vem resultando na redução do estoque da dívida, já que esta aumenta devido às taxas de juros praticadas pelo Banco Central.
- Esses superávits primários apenas neutralizam o efeito fiscal negativo decorrente das altas taxas de juros - ressaltou.
Segundo Suplicy, o total de juros pagos pelo setor público brasileiro foi de R$ 114 bilhões em 2002, R$ 145 bilhões em 2003, R$ 128 bilhões em 2004 e R$ 150 bilhões no acumulado deste ano.
César Borges (PFL-BA) declarou que o Brasil tem "as maiores taxas de juros reais do mundo", e que as reclamações vêm "de todo o setor produtivo". Ele ressaltou que o governo federal não reduz suas despesas correntes (que envolvem, por exemplo, os gastos com pessoal), mas "corta nos investimentos, seja na segurança, na saúde ou na educação".
Já Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que o país vem sendo submetido a "uma das maiores cargas tributárias do mundo". Ele afirmou que, de cada R$ 100 reais pagos pelos consumidores, R$ 32 são relacionados aos tributos.
- Em países avançados, essa relação chega a apenas 6,5% - enfatizou.
Ricardo Koshimizu/Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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