Oposição protesta contra antecipação do comparecimento de Palocci na CAE
Da Redação | 16/11/2005, 00h00
Senadores oposicionistas protestaram contra a antecipação do comparecimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que estava marcado para o próximo dia 22. Os parlamentares reclamaram por não terem sido previamente avisados da mudança, já que terça-feira (15) foi feriado. Além disso, levantaram a hipótese de Palocci, ao não se limitar a tratar de questões econômicas, respondendo ainda a acusações noticiadas pela imprensa, não ser mais convocado pelas comissões parlamentares de inquérito que investigam denúncias de corrupção na Prefeitura de Ribeirão Preto e no atual governo.
Para a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), o Senado não tem o direito de impedir que ele vá às CPIs ou à comissão de fiscalização e controle, responsáveis pela apuração de denúncias ou indícios de crime contra a administração pública.
Embora tenham feito acordo para questionar Palocci apenas sobre temas econômicos na CAE, o PSDB e o PFL não fecharam entendimento sobre o apoio a sua possível convocação pela CPI dos Bingos. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), admitiu que seu partido ainda não firmou convicção sobre essa hipótese. Já o líder do PFL na Casa, José Agripino, disse que seu partido não vai abrir mão de propor a convocação de Palocci para esclarecer denúncias de corrupção no fórum apropriado.
Por sua vez, o senador José Jorge (PFL-PE) comentou sua surpresa ao saber que seu requerimento sobre a privatização do Banco do Estado do Ceará (BEC) e requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre a política de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) tenham motivado a vinda antecipada de Palocci à comissão. Ainda sobre esse fato, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) declarou, em tom de ironia, não ter atentado para a importância da privatização do BEC na discussão sobre a conjuntura econômica nacional. Para o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) só vai haver real democracia no país quando Palocci e seu irmão puderem responder no Congresso às denúncias de corrupção.
O primeiro parlamentar a sair em defesa dessa antecipação foi o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele justificou o ato como "uma necessidade econômica", já que existiria o risco de o país sofrer um ataque especulativo se persistissem dúvidas sobre a lisura na condução da política econômica por Palocci. Em seguida, o vice-líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), lançou o questionamento: "o que impacta mais a economia do que as denúncias contra Palocci?"
Suplicy parabenizou o ministro da Fazenda pela decisão de antecipar ao comparecimento ao Senado e disse acreditar que seus esclarecimentos irão ajudar a desanuviar o ambiente no Congresso. Também em defesa de Palocci, o líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN), indagou: "por que adiar esclarecimentos que podem ser dados agora?" Ele ressaltou que todos sabem "o quanto a economia é sensível a esse tipo de crise".
Simone Franco/Agência Senado
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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