Ex-presidente da Brasil Telecom nega pagamento de R$ 50 milhões a Marcos Valério

Da Redação | 16/11/2005, 00h00

A ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cico negou, em seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, que a empresa tenha destinado R$ 50 milhões em contratos de publicidade às empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, DNA e SMP&B;, conforme a CPI apurou.

Segundo Carla, foram pagos, pelos trabalhos esporádicos prestados pelas agências do publicitário entre 2003 e 2004, R$ 4,4 milhões, o que poderia ser averiguado pela análise das cópias dos contratos e dos comprovantes de serviço, em poder da comissão. Ela também salientou que o volume de recursos em questão é muito pequeno se for levado em consideração tudo o que a Brasil Telecom investiu em marketing no período.

Ao ser questionada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC) sobre os motivos que teriam levado o banqueiro Daniel Dantas, proprietário do grupo Opportunity, do qual a Brasil Telecom faz parte, a mentir, quando disse que a empresa não mantinha contratos com Marcos Valério, Carla explicou que Dantas "nunca se envolveu com decisões de contratação" e que, portanto, "não tinha nenhuma obrigação de saber".

Carla disse também não considerar estranho o fato de ter contratado uma empresa, a Kroll, para espionar a Telecom Itália, companhia na qual já havia trabalhado, em nome da Brasil Telecom.

- Não sou anti-ética, sou uma executiva de mercado - respondeu ela diante da provocação do deputado Dr. Rosinha (PT-PR).

Sub-relatoria de Contratos 

O sub-relator de Contratos da CPI dos Correios, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), informou, nesta quarta-feira (16), que espera apenas o recebimento de dados do Banco Central (BC) e do Departamento de Aviação Civil (DAC) referentes a empresa de transporte aéreo Skymaster para concluir seu primeiro relatório parcial. O documento deverá ser apresentado ao plenário da comissão na próxima terça-feira (22), às 10h, em reunião administrativa, quando também serão votados requerimentos.

Segundo Cardozo, o relatório dará ênfase à hipótese de que a Skymaster, conforme investigações da sub-comissão, superfaturou os contratos com os Correios e enviou ao exterior, a duas empresas situadas em paraísos fiscais nas Ilhas Virgens, o que obteve de lucro com a operação (cerca de R$ 64 milhões, de acordo com cálculos dos técnicos do Tribunal de Contas da União).

O deputado chamou a atenção para a importância de o Ministério Público ser informado sobre essa situação o mais rápido possível, para evitar novas remessas de recursos e uma "dissipação ainda maior do erário". A preocupação se justifica - a quebra de sigilo constatou que, no dia 25 de junho, assim que a comissão começou a funcionar, a Skymaster transferiu R$ 4,3 milhões às Ilhas Virgens.

Por isso, Cardozo visitará a Procuradoria Geral da República (PGR) nesta quinta-feira (17), acompanhado do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e do relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Também nesta quinta-feira, Delcídio se encontrará com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, para tratar da liminar que foi concedida a corretoras de fundos de pensão para evitar a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.

Na quinta-feira da próxima semana (24), a CPI dos Correios votará o relatório parcial do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) sobre as fontes financeiras do suposto esquema de "caixa dois" de campanhas eleitorais e de compra de votos de parlamentares. O documento já foi lido.

Depoimentos nas sub-relatorias

A Sub-relatoria de Contratos colheu, nesta quarta-feira, o depoimento de João Leite Netto, dono da agência franqueada dos Correios no Shopping Tamboré, em São Paulo, uma das que mais faturou no ano passado.

O empresário afirmou que, apesar de ter tido um bom faturamento (cerca de R$ 1,2 milhão mensais), seu lucro líquido é pequeno (cerca de R$ 120 mil), pois gasta muito com corretores. Além disso, ele informou que deve R$ 6 milhões a bancos e R$ 2 milhões aos próprios Correios.

Ele garantiu que não é "laranja" de nenhum político.

- Se sou "laranja" de alguém, é da minha mulher, pois a agência está no nome dela - disse.

O depoimento agendado para esta quarta-feira na Sub-relatoria de Recursos Financeiros, da funcionária do diretório do PT de São Paulo, Solange Pereira de Oliveira, foi cancelado.

Raíssa Abreu/Agência Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)