Serraglio: documentos comprovam R$ 10 milhões da Visanet para o "valerioduto"

Da Redação | 09/11/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios reagiu à entrega de documentos pelos advogados do empresário Marcos Valério, nesta quarta-feira (9), apresentando à imprensa extratos bancários e notas fiscais sob sua guarda. A intenção dos parlamentares era comprovar a informação divulgada pelo relator de que R$ 10 milhões da Visanet, empresa com participação acionária do Banco do Brasil, teriam abastecido o esquema de distribuição de recursos de Marcos Valério, conhecido como "valerioduto".

Os documentos foram apresentados em entrevista coletiva pelo presidente, senador Delcídio Amaral (PT-MS), o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),e três sub-relatores, deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR), Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e Eduardo Paes (PSDB-RJ).

- A demonstração desse fato é cabal. Em uma semana, este assunto provavelmente já estará no Ministério Público. Se alguém achar que nós nos precipitamos, pergunte se a opinião pública acha que nós deveríamos ficar ocultando um dado tão relevante como este que nós apresentamos com começo, meio e fim - disse o relator na entrevista coletiva, nesta quarta-feira (9).

O objetivo da entrevista foi detalhar a seqüência de movimentações que revelam o rastro do dinheiro desde a Visanet até o "valerioduto": depósito dos R$ 10 milhões na conta da DNA Propaganda (empresa de Marcos Valério) no banco BMG em abril de 2004 e compra, no mesmo valor, de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que seriam logo a seguir dados como garantia para empréstimo de Valério. A conclusão é que se tratava de empréstimo, direcionado ao PT, de fachada.

O relator também apresentou uma nota fiscal da DNA não contabilizada e não reconhecida pela Receita Federal, de R$ 6,454 milhões, valor exato do pagamento, realizado antecipadamente, pela Visanet, por serviço de publicidade. Isso seria um indício que de a empresa recebeu por serviços não executados.

Serraglio desqualificou os documentos entregues horas antes por Valério, afirmando que as empresas dele, Graffiti e SMP&B;, sequer dispõem de livros contábeis, e a DNA só registrou o seu em setembro deste ano. Os documentos, portanto, não seriam confiáveis. De acordo com a versão que Marcos Valério sustenta, na verdade, o Banco do Brasil deveria a ele cerca de R$ 13 milhões.

Na entrevista, o deputado Eduardo Paes, que trabalha como relator-adjunto, enfatizou que os documentos agora divulgados pela CPI "não admitem contestações e ilações".

(Rafael Faria)

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)