Secretario de finanças do PT gaúcho nega uso de recursos da SMP&B nas eleições de 2002

Da Redação | 09/11/2005, 00h00

Em depoimento à CPI Mista do Mensalão, o secretário de finanças do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, Marcelino Pies, confessou ter recebido R$ 1,05 milhão da empresa SMP&B;, do empresário Marcos Valério de Souza, e não R$ 1,2 milhão, conforme disse o empresário, e que foi confirmado por Delúbio Soares, ex-tesoureiro nacional do partido.
Segundo Pies, o dinheiro teria sido repassado em cinco parcelas, de junho a outubro de 2003, sendo a primeira no valor de R$ 200 mil. Desse total, admitiu ter recebido R$ 150 mil (dois cheques no valor de R$ 75 mil) na agência de publicidade, em Belo Horizonte, enquanto os R$ 50 mil restantes, segundo disse, teriam sido recebidos por Marcos Trindade em dinheiro vivo. Embora admitisse que os R$ 150 mil tenham sido utilizados para pagar dívidas do PT Nacional com as gráficas Impresul e Comunicação, Editora e Impressão, disse não saber a que tipo de prestação de serviço se referia o pagamento e se os recursos eram destinados à campanha eleitoral de 2002.
Indagado diversas vezes pelo relator Ibrahim Abi Ackel (PP-MG) sobre o valor restante - R$ 850 mil -, Pies disse ter recebido aos poucos, à medida que solicitava a Delúbio, e que os recursos serviram para participação do partido no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, campanha maciça de filiação e fortalecimento do partido no interior do estado.
Para o relator, há uma clara contradição entre Pies e Delúbio Soares, que alegou, em depoimento à CPI, que os recursos se destinavam à campanha eleitoral de 2004.
O deputado José Rocha (PFL-MG), ao inquirir o depoente, disse que a CPI está diante de um "caixa três", formado com as "sobras" de recursos sacados. Rocha sugeriu que a comissão investigue também esse caixa.

(Cristina Vidigal)

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)