Presidente da CPI dos Bingos diz que Silvio Pereira "se escondeu"
Da Redação | 09/11/2005, 00h00
O esperado depoimento do ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira, marcado para esta quarta-feira (9) na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, não ocorreu. O advogado dele, Arnaldo Malheiros Filho, encaminhou à presidência do colegiado justificativa alegando que o seu cliente "estava viajando", e que não fora avisado a tempo para estar em Brasília e prestar o depoimento.
Na tentativa de "resguardar moralmente" o seu cliente, Arnaldo Malheiros chegou a ingressar nesta terça-feira (8) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus em favor de Silvio Pereira para que ele não comparecesse à CPI. É que segundo Malheiros, havia vazado informações de que a presidência da CPI teria requisitado à Polícia Federal que conduzisse à força e algemado o ex-secretário geral do PT para depor. O pedido não tinha sido julgado pelo STF antes da abertura da sessão da CPI.
- Tais alegações são improcedentes. Na prática, o que ocorreu é que mais uma vez Silvio Pereira se escondeu e não quis prestar depoimento por temer as conseqüências - reagiu o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), ao anunciar nova convocação de Silvinho para a próxima semana. A dia ainda será marcado.
Os membros da CPI dos Bingos querem saber se Silvio Pereira irá confirmar declarações concedidas por ele próprio ao jornal Folha de S. Paulo - desmentidas dias depois - de que a direção nacional do PT sabia da existência do caixa dois para ser usado em campanhas eleitorais.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) comunicouao Plenário da CPI, após falar por telefone com Arnaldo Malheiros, que Silvio Pereira irá comparecer para depor "espontaneamente" na próxima semana. Segundo Suplicy, o advogado disse que era a sua "palavra de honra".
A CPI aprovou a convocação do garçom de codinome "Jack" que trabalhava em uma casa de bingo na cidade de Campinas (SP). Segundo Roseana Garcia, viúva de Antonio da Costa Santos - o Toninho do PT -ex-prefeito de Campinas assassinado em setembro de 2001, Jack teria ouvido conversa dentro da casa de bingo sobre um suposto planejamento da morte de Toninho. Roseana depôs nesta terça-feira na CPI e reafirmou sua convicção de que seu marido foi morto por encomenda, ou seja, crime político.
(Cláudio Bernardo)
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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