Professor da Unicamp defende metas de inflação menos rigorosas

Da Redação | 07/11/2005, 00h00

O professor do departamento de Economia da Universidade de Campinas Ricardo Carneiro defendeu, na audiência pública promovida pela Frente Parlamentarista pelo Pleno Emprego, no Senado,que "não se pode ter metas de inflação excessivamente baixas" como foi determinado pelo governo. Para ele, se as metasfossem menos restritivas, os juros não precisariam ficar tão elevados, ajudando no crescimento da economia e, em conseqüência, aumentando onível de emprego.

- Metas de inflação tão baixas só beneficiam o capital, que ganha com os juros altos adotados pelo Banco Central para conseguir atingir tais metas. Não estou advogando a volta da inflação. Só acho que estamos valorizando demais a taxa de inflação baixa - afirmou.

Ricardo Carneiro disse que o governo Lula "não tem um programa de longo prazo" e que, desde sua posse, se beneficiou da grande oferta de dinheiro na economia internacional e da boa fase do comércio externo.Considerou a taxa de juros indicada pelo BC "uma piada"de tão alta e questionou a eficiência desse remédio no controle inflacionário, lembrando que mais de 30% dos créditos oferecidos no país não são afetados pela taxa do Banco Central.

O professor da Unicamp voltou a defender, como já fez em vários artigos, que o governo"arbitre" a entrada de capital externo de curto prazo. Disse acreditar que, com o câmbio flutuante,o país não tem expectativa de crescimento elevado e a longo prazo. Afirmou que os países asiáticos com altos índices de crescimentonão trabalham com câmbio flutuante e alertou que o Brasilcorre o risco de ver suas exportações despencarem se a economia mundial tiver uma desaceleração.

- O governo executa uma política monetária e cambial insana. Como é possível a um país crescer de forma sustentada e a taxas elevadas se 20% dos gastos públicos são direcionados aos juros? - questionou.

(Eli Teixeira)

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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