Ex-diretor do BC quer metas de inflação com prazos maiores
Da Redação | 07/11/2005, 00h00
O professor do Ibmec e ex-diretor do Banco Central e da Petrobrás Carlos Thadeu de Freitas Gomes defendeu que o governo mude os prazos de suas metas inflacionárias, hoje anuais. Ele entende que metas de 16 ou 18 meses darão maior flexibilidade ao Banco Central, que não precisaria elevar tanto os juros quando percebesse alguma pressão inflacionária. Com as metas anuais, o BC se sente pressionado a conseguir êxito rapidamente e, para isso, acaba exagerando na dose dos juros, acrescentou.
Para ele, um aumento no nível do emprego, como defende a Frente Parlamentarista pelo Pleno Emprego, só se consegue com crescimento econômico. Crescimento, por sua vez, exige taxas de juros baixas, principalmente para as pequenas e médias empresas. Thadeu de Freitas recomendou, para ajudar na queda de juros, que o governo reduza o compulsório dos bancos, hoje em 40% na média (os bancos não podem emprestar o compulsório).
Thadeu de Freitas criticou os juros reais de 14% ao ano e lamentou que a dívida bruta do governo não tem caído - apenas a dívida líquida tem se mantido perto de 51% do Produto Interno Bruto.A dívida mobiliária do governo - disse - aumentou de 44% para 49% do PIB nos primeiros nove meses deste ano.
O ex-diretor do BC apoiou a decisão do Copom de aumentar de 30 pra 40 dias os prazos entre suas reuniões para fixar juros, mas acha que não surtirá efeito sobre os juros internos a decisão do Tesouro de lançar títulos em reais no exterior. Pediu ainda que o governo e o Congresso regulamentem o artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro.
(Eli Teixeira)Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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