Tião lamenta falta de debates sobre visita de Bush e Cúpula das Américas

Da Redação | 04/11/2005, 00h00

O senador Tião Viana (PT-AC) criticou a ausência de debate amplo na sociedade brasileira sobre o significado de dois eventos do momento: a visita ao país do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a realização da Cúpula das Américas, a partir desta sexta-feira (4), em Mar Del Plata, na Argentina.

Para o senador, os dois acontecimentos são especialmente oportunos para que o país reflita acerca das possibilidades de novo padrão nas relações bilaterais e multilaterais, sobre o mundo que deseja construir e sobre o projeto que considera legítimo para si mesmo e para todos os povos americanos.

- Meu entendimento é de que o Brasil deveria estar efervescente nesta hora, em protestos, em análises, em debates - dos que são a favor, a favor; dos que são contra, contra - mas nós deveríamos deixar uma marca nessa visita para o mundo inteiro do que pensa a sociedade brasileira - disse Tião Viana.

Ao tecer suas críticas, o senador ressalvou, contudo, a contribuição ao debate oferecida pelo senador José Sarney, por meio de artigo publicado nesta sexta-feira na Folha de São Paulo. Para Tião Viana, que pediu a inserção do artigo nos anais do Senado, o texto representa uma das mais lúcidas análises sobre o significado da Cúpula.

No artigo, intitulado "Bush e o pato canadense", Sarney afirma que o evento foi criado para que os americanos participem de fóruns regionais começados por ele próprio, à época em que era presidente do Brasil, juntamente com os então colegas do México, da Argentina e do Uruguai. Também destaca a acusação do ex-presidente Jimmy Carter de que o governo Bush sabota as referências morais em que se baseia a política externa americana.

Para Tião Viana, o debate deveria mobilizar especialmente os intelectuais, a vanguarda universitária e organizações não-governamentais. O próprio Congresso, segundo ele, deixa-se engolir pela "política comezinha" e oferece pouca contribuição às reflexões que considera fundamentais, entre elas a criação da Alca, o tratado de livre comércio entre as Américas, e a política externa conduzida por Bush , "o senhor das guerras".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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