Para Alvaro Dias, crise enfraqueceu imagem de Lula no exterior
Da Redação | 04/11/2005, 00h00
Na sessão plenária desta sexta-feira (4), o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua imagem internacional enfraquecida "brutalmente" pelas denúncias de corrupção. O senador acredita que, na 4a Cúpula das Américas - que começa nesta sexta, na Argentina -, Lula deixa de ser o protagonista político latino-americano, lugar agora ocupado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Para Alvaro Dias, o encontro a ser realizado em Brasília no domingo entre Lula e o presidente norte-americano, George W. Bush, será um gesto de mera cortesia entre dois presidentes com enormes dificuldades domésticas.
- Bush está enfraquecido, envolvido em escândalos de delação e corrupção. Lula, por sua vez, está emparedado aqui em crise política detonada por acusações de corrupção - disse.
Alvaro Dias afirmou ainda não ser novidade, para quem vem acompanhando as denúncias de corrupção contra o governo de Lula da Silva, a informação divulgada na véspera pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), de que R$ 10 milhões oriundos do Banco do Brasil passaram pelascontas do empresário Marcos Valério e acabaram como empréstimo ao PT.
- Vão dizer que o esquema já funcionava antes. Não é verdade, mas se fosse, isso absolveria o PT? - questionou Alvaro Dias.
O parlamentar afirmou ainda que a "gangue política" do PT não foi desmontada e que o presidente Lula precisa mudar de comportamento. Para o senador, a oposição tem que parar de poupar Lula, que por sua vez precisa dar explicações. Alvaro Dias considera que o que está acontecendo no país é muito mais grave do que se pensa.
- O centro do poder se corrompeu e não se pode mais confiar nele. Como esperar que a lei seja cumprida nessas condições? Como o cidadão pode ficar tranqüilo? Daqui para frente não viveremos mais na normalidade democrática. Os ritos legais estão constrangidos - disse.
Em aparte, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) lamentou que, ao vender broches e camisetas e dar 35% do seu salário ao PT, na verdade estava ajudando a "lavardinheiro sujo".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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