Abicalil diz que dinheiro de Valério pode não ter saído do BB
Da Redação | 04/11/2005, 00h00
O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) contestou nesta sexta-feira (4) as conclusões apresentadas pelo relator da CPI Mista dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), acerca do suposto desvio de dinheiro do Banco do Brasil para as empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza.
Para Abicalil, não é possível afirmar com certeza que os R$ 10 milhões emprestados pelo empresário ao Partido dos Trabalhadores tenham saído do BB. O deputado disse ainda que a DNA, empresa de Marcos Valério, informou que a prestação de contas considerada pendente pelo banco, referente a R$ 9,09 milhões, foi realizada e está com a Polícia Federal, que apreendeu diversos documentos da agência.
- O relator foi imprudente e precipitado. Dinheiro não tem carimbo, por isso não acho verossímil dizer que o Banco do Brasil desviou dinheiro para o PT. Esses recursos podem ser públicos, privados, provenientes de fundos de pensão, ainda não podemos concluir - criticou o deputado.
Abicalil argumentou que, na época em que realizou a aplicação de R$ 10 milhões no BMG, a DNA possuía R$ 46 milhões em caixa, dos quais R$ 23 milhões estavam depositados no Banco do Brasil, o que poderia significar que a fonte do dinheiro poderia ser outra e não os R$ 35 milhões antecipados pelo BB para pagamento de serviços de publicidade do Visanet.
O deputado do PT disse também que a antecipação de pagamentos para agência publicitárias seria uma prática comum a todos os bancos participantes da empresa Visanet, ocorrida também em 2001 e 2002, antes do governo atual e da gestão de Henrique Pizzolato na Diretoria de Comunicação e Marketing (Dimac) do BB.
Abicalil reconheceu que há indícios de irregularidades nas negociações entre o Banco do Brasil e a agência DNA, mas afirmou que é preciso realizar mais investigações, analisar os documentos que estão de posse da Polícia Federal e, inclusive, aqueles referentes a contratos de publicidade do BB com outras empresas. Para ele, as conclusões de Serraglio não deveriam ser incluídas no relatório preliminar que a CPI deve apresentar na próxima quinta-feira (10), já que não estariam suficientemente embasadas em documentação.
Em entrevista coletiva na quinta-feira (3), Serraglio afirmou que um dos empréstimos feitos por Marcos Valério ao PT, no valor de R$ 10 milhões, eram parte de um pagamento de R$ 35 milhões feitos pelo Banco do Brasil à agência DNA, que pertence ao empresário. O Banco do Brasil teria reconhecido que, do total pago, os serviços referentes a R$ 9,09 milhões não chegaram a ser prestados pela agência.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: