CPI começa a descobrir os caminhos do dinheiro de Marcos Valério
Da Redação | 03/11/2005, 00h00
Dos recursos repassados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza ao PT, pelo menos R$10 milhões saíram do Banco do Brasil (BB). Essa é a conclusão a que chegou o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) e que foi anunciada na tarde desta quinta-feira (3) em entrevista coletiva. O dinheiro viria de verbas de publicidade da empresa Visanet, que tem o banco entre os seus sócios. Com a descoberta, a tese de que os repasses feitos por Marcos Valério ao PT teriam como origem empréstimos obtidos por suas empresas junto ao mercado financeiro começa a ser desmentida.
Serraglio explicou que em março de 2004 o Banco do Brasil antecipou um pagamento de serviços de R$ 35 milhões à DNA, uma das agências de Marcos Valério. O dinheiro seria referente às campanhas de publicidade dos cartões do banco ligados à rede Visanet. Em abril, a DNA realizou uma aplicação de R$ 10 milhões no banco BMG e quatro dias depois essa instituição financeira liberou um empréstimo do mesmo valor para a Rogério Lanza Tolentino & Associados Ltda, empresa que pertence ao grupo de Marcos Valério. A aplicação que havia sido realizada pela DNA foi usada como garantia do empréstimo. Na lista fornecida pelo empresário à CPI, consta um empréstimo de R$ 10 milhões feito por ele ao PT por meio da Rogério Lanza Tolentino & Associados Ltda.
O relator da CPI ressaltou que os R$ 35 milhões foram pagos à DNA pelo Banco do Brasil antes que o serviço fosse prestado, um procedimento incomum no mercado. Além disso, até 2002 a publicidade dos cartões Visanet do BB era realizada por três agências, mas foi toda centralizada na DNA a partir de 2003, com a gestão de Henrique Pizzolato como diretor de Marketing do banco. Serraglio revelou ainda a existência de um documento assinado por Pizzolato autorizando a antecipação do pagamento. Pizzolatotambém aparece nas listas de recebedores de recursos de Marcos Valério, como beneficiário de mais de R$ 300 mil. O ex-diretor de Marketing do BB já se aposentou.
- Fica evidente a responsabilidade de Pizzolato, que pode ser acusado de peculato por ter ajudado a desviar dinheiro do Banco do Brasil - afirmou Serraglio, antecipando que o ex-diretor do BB e outros funcionários da estatal devem ser convocados a depor.
O relator da CPI garantiu que a identificação dos R$ 10 milhões como sendo originados na estatal é uma conclusão irrefutável. Serraglio disse acreditar que os recursos desviados do Banco do Brasil são dinheiro público, embora sua origem seja a Visanet, uma empresa privada formada com o capital de vários bancos, entre eles o próprio BB, que é dono de 31,99% das cotas.
Serraglio disse ainda que o Banco do Brasil reconhece que não pôde identificar a prestação de serviços referentes a, pelo menos R$ 9,09 milhões, do montante pago à DNA. O relator exibiu cópia de um ofício enviado no mês passado pela instituição à agência de publicidade, notificando a pendênciana sua contabilidade.
O desvio de recursos do Banco do Brasil pode ter sido ainda maior. A CPI dos Correios apurou que em 2003 ocorreu uma operação semelhante à que resultou na liberação de R$35 milhões da estatal para a DNA. Em maio daquele ano a Visanet realizou um pagamento de R$ 23,3 milhões à mesma agência de publicidade de Marcos Valério. No dia seguinte foram aplicados R$ 23,2 milhões no BB. Ainda em maio, a agência SMPB, também de Marcos Valério, recebeu um empréstimo de R$ 19 milhões do Banco Rural, que consta na relação do empresário como tendo sido repassado ao PT. Serraglio ressalvou que ainda há etapas não elucidadas nessa operação. Não se sabe como o dinheiro teria ido do Banco do Brasil para o Banco Rural.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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