Cristovam faz alerta sobre ameaças à soberania brasileira
Da Redação | 19/10/2005, 00h00
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) chamou a atenção nesta quarta-feira (19) para problemas que, segundo ele, ameaçam a soberania do Brasil. Ele destacou a segurança nacional, a excessiva concentração de renda, o déficit educacional, o atraso científico e a baixa competitividade econômica como questões que precisam ser resolvidas com urgência.
- Não quero ser acusado um dia de não ter falado dessas "insignificâncias". Lamento tomar o tempo do Senado Federal em um momento de mensalões, CPIs, cassações, bingos e tantas coisas "mais importantes" - esclareceu.
Cristovam preveniu que a soberania nacional começa a ser ameaçada pela quantidade de bases militares estrangeiras que estão sendo criadas perto de nossas fronteiras. Ele exemplificou apontado as bases aéreas norte-americanas na Colômbia e no Paraguai. No vizinho do norte, segundo o senador, a justificativa para a existência da base seria o combate às guerrilhas e ao narcotráfico. Quanto à base localizada no Paraguai, o objetivo seria mais claro: estar perto do Aqüífero Guarani, uma reserva de água doce que se estende por mais de 1 milhão de quilômetros quadrados e abrange partes do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.
Cristovam Buarque observou que é preciso promover mudanças nas Forças Armadas, melhorando seus equipamentos e sua formação e definindo melhor seu papel e suas estratégias. Sem isso, acrescentou o senador, o país não estará preparado quando a escassez de água doce e outros recursos forçar outras nações a intervir na soberania brasileira.
Quanto à exclusão social no país, Cristovam avaliou que a alta concentração de renda de uma pequena parte da população é praticamente um "genocídio coletivo" contra a população mais pobre. Para ele, essa desigualdade social está conduzindo o país a se dividir em duas castas, situação que pode provocar a destruição do "tecido nacional".
O senador também indicou a precariedade do sistema educacional público brasileiro, em que os professores são mal pagos e mal preparados e as escolas mal equipadas, como outro problema que trará prejuízos ao país. Como conseqüências desse déficit na educação, Cristovam apontou o atraso do Brasil na pesquisa científica e a perda de competitividade do produto nacional frente aos importados.
O representante do Distrito Federal também lamentou o intenso desmatamento da Amazônia e a seca que atualmente assola a região. Em aparte, o senador Sibá Machado (PT-AC) observou que, segundo matéria do jornal O Globo, apenas quatro pecuaristas seriam os responsáveis pelo desmatamento de 30 mil hectares da floresta.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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