Presidente do Citibank diz que o grupo teve prejuízos com gestão de Daniel Dantas
Da Redação | 18/10/2005, 00h00
Reportagem da Rádio Senado
Ao depor na CPI do Mensalão, o presidente do Citibank no Brasil, Gustavo Marin, afirmou que o Banco Opportunity de Daniel Dantas foi destituído da gestão do Fundo CVC, de propriedade do Citigroup, em março de 2005, porque o Citi constatou a existência de "contratos fraudulentos transferindo recursos do Fundo CVC para o Opportunity".
Ele não quis detalhar números de prejuízo, nem a destinação desses recursos desviados, limitando-se a dizer que corre, em NovaYork, uma ação do Citigroup contra o Opportunity, para ressarcimento de danos.
Para a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), foi uma pena que Marin não tenha querido responder às perguntas que interessam à CPI, ou seja, qual a origem do dinheiro das empresas de Marcos Valério, que alimentaram o caixa dois do PT e o mensalão. Ela lembrou os insistentes boatos de que Daniel Dantas, através do Fundo CVCe do Citibank, seria uma dessas fontes de "dinheiro não contabilizado".
Marin limitou-se a dizer que o Citigroup, o maior banco do mundo, com 100 mil funcionários, é proibido de fazer contribuições para campanhas eleitorais ou partidos políticos, em qualquer dos 100 países onde mantém negócios. No Brasil, o Citi está presente há 90 anos.
Marin garantiu não conhecer Marcos Valério, nem Luiz Gushiken, nem Naji Najas. Ele admitiu ter se encontrado duas vezes com José Dirceu, para tratar assuntos gerais, e várias vezes com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para tratar de negócios do Citi no Brasil e do Fundo CVC.
Fundos de pensão
Em relação ao negócio assinado entre o Citigroup e os Fundos de Pensão Previ Funcef e Petros, com cláusula de recompra de ações de companhias telefônicas, em 2007, Marin sustentou que o negócio será vantajoso para ambos os lados. Segundo ele, quando se obtém o controle acionário de companhias, pode-se saneá-las e, posteriormente, vendê-las com grandes lucros.
O relator da Comissão, deputado Ibrahim Abi-Akel (PP-MG), lembrou que o Tribunal de Contas da União (TCU) está analisando esse negócio e, embora ainda não tenha havido uma decisão final, já considerou os contratos como "irregulares e passíveis de gerar prejuízos aos fundos de pensão".
Segundo Gustavo Marin, os contratos foram assinados de acordo com a legislação brasileira em vigor e quando as companhias forem vendidas em conjunto, tanto o Citi quanto os fundos terão lucros garantidos.
O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) apresentou um relatório de inúmeras denúncias e multas aplicadas contra o Citigroup no mundo, englobando corrupção, fraude, lavagem de dinheiro, discriminação racial, negócios fraudulentos em bolsa de valores. Segundo ele, em decorrência dessas atividades o Federal Reserve Bank (banco central norte-americano) tomou a surpreendente decisão, em meados de 2005, de proibir que o Citi comprasse ou vendesse empresas nos Estados Unidos.
- Reconheço que tivemos problemas que afetaram a nossa reputação. Quando um banco é muito grande com 100 mil funcionários, ocorrências como essas ocorrem. Estamos investigando os fatos para tomar as providências para corrigi-los - limitou-se a dizer o presidente do Citibank, Gustavo Marin.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: