Rádio Tupi trouxe talentos de fora do eixo Rio-SP

Da Redação | 27/09/2005, 00h00

Desde 1933, atendendo a solicitação de Chateaubriand, durante quatro anos Samuel Ribeiro e Guilherme Guinle forneceram recursos para fazer adquirir os transmissores das Rádios Tupi do Rio de Janeiro (1935) e Tupan de São Paulo (1937), dando a partida para a rede de radiodifusão dos Associados que chegaria a englobar 25 estações em todo o país.

Sem possuir quaisquer recursos, conforme Glauco Carneiro, Chateaubriand  encomendou a General Eletric do Brasil uma estação de rádio de 10 kilowatts de potência, prometendo ao executivo da empresa americana que pagaria o equipamento com novos contratos de publicidade.

"O americano topou a proposta e em seguida Assis recorreu aos velhos amigos Samuel Ribeiro, Guilherme Guinle e Jose Martinelli para levantar dinheiro destinado à entrada dos Diários Associados na radiodifusão, o que viria a correr justamente com a inauguração da Rádio Tupi, em 25 de setembro de 1935" - relata Carneiro na História dos Diários Associados.

Avaliação

Apesar do grande sucesso que a Rádio Tupi experimentou, desde a sua inauguração, o historiador do rádio brasileiro, Luiz Carlos Saroldi, avalia que a emissora, em seus primeiros anos pagou o preço da administração amadorística.

- O Almirante, por exemplo, ficava louco da vida porque o Chateaubriand passava no caixa e apanhava todo o dinheiro para comprar um quadro ou um equipamento novo para algum jornal - relata o historiador.

Com tudo isso, Sandroni considera que "a grande contribuição dos Diários Associados para o rádio brasileiro foi o seu processo de criar, descobrir, buscar e utilizar talentos de fora do eixo Rio-São Paulo, fazendo-os circular por todo o país e lhes dando uma visão nacional.

Entre os vários exemplos citados por ele, destacam-se o de Antonio Maria, que saiu da Rádio Sociedade da Bahia para a Ceará Rádio Clube, Rádio Tamandaré e Rádio Tupi; e o maestro Severino Araújo, que emigrou sua orquestra Tabajara da Paraíba para o Rio de Janeiro. Enquanto na Rádio Nacional os novos valores tinham que vir ao Rio e procurar oportunidade, na Tupi havia um sistema que identificava na origem os valores que tinham potencial para crescer.

O fato é que, como afirma a pesquisadora Lia Calabri, nos anos 40 e 50 o rádio possuía glamour, era considerado como uma espécie de Hollywood brasileira. Ser cantor ou ator de uma grande emissora carioca ou paulista era o suficiente para que o artista conseguisse sucesso em todo o país, obtivesse destaque na imprensa escrita e até mesmo freqüentasse os meios políticos (como um convidado especial ou mesmo como candidato a algum cargo político). Normalmente as turnês nacionais desses astros eram concorridíssimas, fazendo do maior sonho de muitos jovens de todo o país, o de se tornar artista de rádio - seria o correspondente ao desejo de hoje, de se tornarem artistas de televisão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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